SÉCULO DAS LUZES – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

Pacífico! chamara-lhe Fernão de Magalhães. Mas o imenso Oceano, o maior do planeta, continua por explorar. Espaço em branco no mapa-múndi de qualquer junta de navegação. Durante dois séculos, raros são os navegadores que nele se aventuram. Em 1567 Mendana localiza os arquipélago de Salomão mas em coordenadas incertas. Em 1606 Quiros e Torres descobrem as Novas Hébridas. Em 1642 Tasman contorna a Austrália e descobre a Nova Zelândia. E pouco mais. Terras que não estimulam o apetite das grandes potências.

Não passa um século sobre a descoberta de Tasman e uma nova paixão ganha as elites do Ocidente. Não mais a busca de especiarias, ouro, prata, glória ou escravos. Nem sequer a conversão dos gentios. O progresso do espírito humano é agora o grande movimento filosófico do século XVIII. A ciência começa a ocupar o trono que os sistemas religiosos, contestados e em retirada, deixaram vago.

E os reflexos destes avanços sobre a ciência náutica? Sir Joseph Banks, cosmógrafo da Royal Society, dá-nos a sua opinião:

– A ciência náutica já está marcada pelo Século das Luzes. As cartas traçadas por Kremer, o “Mercator”, estão ao alcance de qualquer navegante. De inspiração árabe, nelas as longitudes são determinadas por paralelas perpendiculares aos meridianos. Uma linha unindo dois pontos geográficos pode ser agora facilmente traçada pois corta, com os mesmos ângulos, todos os meridianos e paralelos. Em 1729 foi inventado o cronómetro. Em 1731 foi posto à disposição dos oficiais da marinha o sextante de espelho, com o qual se pode facilmente medir a altura de um astro. Em 1755 são publicadas as primeiras tabelas exatas das fases da Lua. Estão facilitados os cálculos de latitude e longitude. Abre-se uma nova era para a exploração oceânica. O nosso tempo  exige agora um herói de novo tipo. Não mais um visionário como Colombo; ou um sedento de glória como Vasco da Gama; ou um desvairado como Fernão de Magalhães. Exige um herói cuja ambição seja a de alcançar o conhecimento exato.

Duvidamos que se possa exigir uma coisas destas. Mas Sir Joseph Banks é taxativo:

– Só é possível congeminar uma exigência quando já há condições para existir o que se exige. Um novo herói vai aparecer.    

E aparece: James Cook.

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