“O 28 DE MAIO E O FIM DO LIBERALISMO” um estudo de José António Saraiva e Júlio Henriques, apresentado por José Brandão

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Imagem1Esta recensão feita por José Brandão a estes dois volumes editados há 36 anos, faz parte de uma extensa obra, fruto de uma investigação do nosso colaborador – A República nos livros de ontem nos livros de hoje – que apresentámos integralmente no blogue Estrolabio. Embora se trate de edições que só poderão ser adquiridas em alfarrabistas, entendemos consituir estas notas uma informação que poderá ser útil. Iremos aqui reproduzir algumas dessas recensões.

O 28 de Maio e o Fim do Liberalismo (Das Lutas Liberais de Oitocentos ao Advento da República) José António Saraiva/Júlio Henriques  Livraria Bertrand, 1977

A que se deve a tradição centralista do Poder em Portugal e a dificuldade da afirmação no País de uma burguesia activa e autónoma em relação ao Poder do Estado? Como se entende a incapacidade da sociedade portuguesa para produzir no seu interior uma classe dominante e a delegação cíclica do poder na força das armas? Recuando até ao século XIX, e mesmo antes, à procura das raízes profundas do Estado Novo, buscando no século XIX as razões de ser de um período que foi, só, um dos mais longos períodos de estabilidade política e institucional da história portuguesa moderna. O 28 de Maio e o Fim do Liberalismo não é, ainda assim, um livro sobre o século XIX. A História é normalmente a história das células vivas de um Tempo – e este livro, em certo sentido, é o seu contrário: a procura, num Tempo, das suas células mortas.

O 28 de Maio e o Fim do Liberalismo (Do Advento da República à Revolta de Braga) José António Saraiva/Júlio Henriques Livraria Bertrand, 1978

A análise das circunstâncias em que se dá o golpe militar de 28 de Maio; o facto de ele se ter feito praticamente sem um tiro e de a passagem do Poder das mãos dos militares para as mãos dos políticos civis ter acontecido depois praticamente sem convulsões; de, com ele, se ter iniciado um dos períodos mais longos de estabilidade política e institucional da história portuguesa moderna levaram-nos a concluir da impossibilidade de entender o 28 de Maio pela análise apenas da conjuntura próxima. Com este volume, que trata da I República e do seu tempo – uma República que aqui se entende simultaneamente como prolongamento e estertor do liberalismo monárquico – dá-se por concluída a tentativa de descobrir aquilo a que se poderão chamar as «raízes distantes» do Estado Novo.

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