EDITORIAL – PODER ABSOLUTO POR DIREITO DIVINO

Imagem2Na perspectiva do governo de Barack Obama, «as coisas estão a compor-se». Por um lado, parece garantida a aprovação do Senado a uma intervenção militar na Síria; por outro lado, Vladimir Putin retirará o veto da Rússia a essa intervenção, caso seja provado o uso de armas químicas contra a população civil, embora tenha destacado que só o Conselho de Segurança da ONU pode autorizar o uso da força militar contra um país soberano. Mas, seja ou não provado, seja o que for que se considere como provas e até que ponto é isenta a investigação, pergunta-se: que direito têm os Estados Unidos de intervir?  Perguntamos também: caso se prove que, na República Popular da China, devido à Política do Filho Único, as recém-nascidas são abandonadas pelos pais, acabando por morrer, os Estados Unidos vão lá impedir este genocídio?

Desde que, nos anos 70 a lei entrou em vigor, calcula-se que ela tenha evitado o crescimento demográfico em cerca de 400 milhões de pessoas. O que significa que centenas de milhões de meninas foram mortas. Os Estados Unidos vão invadir a China para impedir uma prática de tal modo criminosa? Não, pois este é um assunto interno da China e, pormenor sem importância, a China Popular tem um arsenal atómico e umas forças armadas que podiam causar problemas…

Já aqui temos falado deste tema, do poder absoluto que os Estados Unidos unilateralmente se atribuem, incluindo o direito de intervir em qualquer parte do mundo para impor a sua lei. Na Segunda Declaração de Havana, Fidel Castro denuncia essa aberração, essa violação do Direito Internacional que se consubstancia na chamada Doutrina Monroe. Em 1815 o presidente James Monroe contestou o direito de intervenção de potências europeias no continente americano, reivindicando para os Estados Unidos esse direito. Quase 200 anos depois, Mitt Romney, candidato à presidência e homem de negócios,  no discurso de abertura de sua campanha, em 2012, disse: “Deus não criou este país para que fosse uma nação de seguidores. Os Estados Unidos não estão destinados a ser apenas um dos vários poderes globais em equilíbrio. Os Estados Unidos devem conduzir o mundo ou outros o farão.”

Agora percebe-se a grande identidade de princípios (e de fins) entre os Estados Unidos e Israel. São povos eleitos. Deus criou-os para conduzir o mundo. Antes que outros o façam.

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