RONDON E GHANDI – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

         – Até 1898 Cândido Rondon é o responsável pela manutenção das linhas telegráficas de Mato Grosso. Em 1899 chefia a comissão que estende as linhas de Cuiabá a Corumbá, também para a Bolívia e o Paraguai. Em 1906 atravessa 250 léguas dos sertões do Noroeste de Mato Grosso e 300 léguas da floresta amazónica, para levar os fios desde Cuiabá ao Território do Acre, fechando assim o circuito telegráfico nacional. E, nessas andanças, sempre a pacificar e a integrar novas tribos, protegendo-as contra espoliadores e escravocratas.

– Um outro Ghandi…

– Sim, tem razão, ambos viveram na mesma época. Mas, distanciados por milhares de quilómetros, ignoravam-se um ao outro. E afinal tinham missão idêntica, viver para outrem, altruísmo. Um na América do Sul e o outro na Ásia.

– Mas o mais conhecido é o Ghandi.

– Porque sacudiu a Coroa Britânica. Rondou sacudiu apenas as consciências. Foi por isso.

– Sim, o Ghandi teve enorme projeção política…

–  Enquanto o Rondon foi apenas explorador, humanista e cientista.

– Cientista? Dessa não sabia eu…

– Neblinas do esquecimento… Em cada expedição Rondon levava, para além da tropa, duas equipas. Uma, a dos construtores das linhas telegráficas. Outra, a de cientistas: geólogos, botânicos, zoólogos, etnógrafos, linguistas. Geógrafo era o próprio Rondon que fez o levantamento de milhares de quilómetros lineares de terras e águas, determinou as coordenadas (longitude e latitude) de mais de 200 localidades, inscreveu no mapa do Brasil 12 rios até então desconhecidos e corrigiu erros grosseiros sobre o curso de outros tantos. Os outros cientistas das suas equipas recolheram mais de 3 mil artefatos indígenas, mais de 8 mil espécimes da flora, mais de 5 mil espécimes da fauna e um número infinito de amostras minerais. A maior contribuição de sempre para o Museu Nacional…

– Espantoso!

2 Comments

Leave a Reply