Pentacórdio após 9 de Setembro

por Rui Oliveira

 

 

 

   O início desta semana não é fértil em eventos marcantes, pelo que assinalaremos apenas um ou outro acontecimento mais interessante, quanto mais não seja pela sua originalidade.

 

   Assim, a partir de Segunda-feira, 9 de Setembro, a Cinemateca anuncia a projecção até Quinta, 12 (em primeiras exibições) da quase totalidade da obra de Denis Côté, um dos mais reconhecidos e admirados cineastas canadianos contemporâneos, numa retrospectiva de iniciativa da 3ª edição do CineCoa (Festival Internacional de Cinema de Vila Nova de Foz Coa), a qual será apresentada pelo próprio Denis Côté.

denis côté   Este canadiano do Quebeque de 40 anos (foto junto), ex-crítico de cinema, (“tatuagens, piercings, cabelo quase branco Bowie”, diz o Ípsilon que o entrevistou), destacou-se recentemente “devido à originalidade do seu pensamento e à grande elegância formal dos seus filmes (em número de nove à data de hoje), que incluem ficções, documentários e curtas-metragens. Num estilo “minimalista”, de grande precisão e beleza, Côté aborda temas como a solidão e a alienação social, transgredindo ou abolindo as fronteiras entre documentário e ficção, instaurando aquilo a que um crítico chamou «um cinema da incerteza»”.

   São afirmações suas : “Desconfio sempre dos filmes de autor muito pesados, que terminam em silêncio … Irritam-me os filmes que anunciam que pelo final da história vai acontecer um drama – através da música… Não estou interessado na narrativa, não estou aqui para dar informações. É a noção de surpresa que me interessa – as colisões, os acidentes, a criação de uma ameaça… Preciso de rupturas de tom, de introduzir num filme ultra.violento um momento de humor…”.

   É o que veremos nos filmes programados, todos na Sala Dr. Félix Ribeiro da Cinemateca, a saber :

   Na Segunda 9, às 19h, “Les États Nordiques” (2005) e às 21h30 “Nos Vies Privées” (2007);

   Na Terça 10, às 19h “Elle Veut le Chaos” (2008) e às 21h30 “Carcasses” (2009);

   Na Quarta 11, às 19h “Tennessee” (2005), “Maïté” (2007) e “Les Lignes Ennemies” (2010) e às 21h30 “Curling” (2010);

   Na Quinta 12, encerramento às 19h com “Bestiaire” (2012).

   Deste último mostramos-lhe um dos seus filmes-anúncio deste quotidiano (sem diálogos) de um jardim zoológico canadiano e em seguida o trailer do seu filme mais recente (destacado em Berlim 2013) “Vic et Flo Ont Vu Un Ours” (2013), o único ausente desta retrospectiva já que surgirá em breve em distribuição nacional.

 

 

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   Na Terça-feira, 10 de Setembro, o elemento novo mais relevante parece ser a inauguração na Garagem Sul do Centro Cultural de Belém, às 19h, da exposição “Futurospective Architecture” do arquitecto japonês Sou Fujimoto, naquela que julgamos ser a primeira exposição monográfica realizada na Europa dedicada a este arquitecto de 41 anos, aqui com curadoria de Friedrich Meschede e Julia Albani.

   São cerca de 120 maquetas, projectos, objectos, materiais e filmes de trabalhos de Fujimoto exibidos para ilustrar a sua visão do espaço duma “Arquitectura como Floresta” que será documentada e comentada pelo próprio Sou Fujimoto.

935386_10151490128917819_52942838_n   Diz ele : “ Acredito que a Arquitectura do futuro seja como uma Floresta. Na floresta, das folhas, insectos e sementes até à grande escalada dos troncos das árvores, todo um conjunto de coisas verdadeiramente diversas coexiste e está em relação. É esta diversidade que me atrai, uma riqueza nascida do espaço, entre a ordem e o caos. Se uma Arquitectura como Floresta for criada, vai ser um lugar de complexidade, rico em diversidade, muito além daquilo que existe na arquitectura e nas cidades de hoje. E os seus habitantes vão ser uma parte orgânica dessa diversidade. Os projectos aqui expostos são tentativas de criar noções novas de natureza e ambientes feitos pelo homem, como a floresta tridimensional, a floresta geométrica, a floresta urbana, etc.

sou02   Alguns destes projectos foram construídos, outros são apenas conceitos, e outros, ainda, estão em desenvolvimento. Variam de pequenas ou, mesmo, microscópicas arquitecturas até edifícios colossais e infra-estruturas urbanas com 700 metros de altura. A Arquitectura como Floresta aqui apresentada é o futuro da Natureza e o futuro da Arquitectura. A Floresta é a origem e lança luz sobre o futuro da Arquitectura.

   Às 21h30, no Grande Auditório do CCB, Sou Fujimoto (foto ao lado) fará uma conferência cuja entrada é livre.

   Esta é uma entrevista sua sobre a exposição, cuja continuação se pode ouvir aqui .

 

 

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   Nessa mesma Terça-feira, 10 de Setembro, ocorre no Anfiteatro do Institut Français de Portugal, às 19h, com entrada livre, a apresentação ao público 1003377_569954459732495_1264739090_n 2do livro “Fukushima, crónica de um desastre”, do escritor, ensaísta e investigador francês Michaël Ferrier, Prémio Édouard Glissant 2012 pelo conjunto da sua obra e Embaixador intercultural da Unesco, traduzido para a editora Antígona por Miguel Serras Pereira.

   Após o debate usual, a apresentação será seguida da exibição do filme “Le monde après Fukushima” de Kenichi Watanabe (2012, 77’), para o qual Ferrier escreveu os comentários e que nos mostra que as causas do acidente nuclear de Fukushima vão muito para além do tsunami de 11 de Março.

   Na impossibilidade de mostrar o trailer do filme do documentarista japonês elaborado para o canal Arte e projectado em Fevereiro passado, mostramos-lhe o documentário francês completo aqui :

 

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