EDITORIAL – DA BATALHA DE MONTJUIC A NOVA IORQUE, PASSANDO POR SANTIAGO DO CHILE

Imagem2Hoje, 11 de Setembro, é um dia de múltiplas efemérides – em 1714 foi a Batalha de Montjuic, às portas de Barcelona. Lavrava a Guerra da Sucessão pelo trono do reino de Espanha e os catalães, apoiantes do pretendente austríaco, apesar de se terem batido heroicamente, foram derrotados. Filipe V, neto de Luís XIV, vencedor, retirou à Catalunha todos os instrumentos institucionais que marcavam a sua independência. Foi, aliás, em consequência desta guerra que o rochedo de Gibraltar passou para a soberania britânica. Em 1973, no Chile,  foi o golpe dos militares chefiados por Pinochet que derrubaram o governo socialista de Salvador Allende, impondo uma ditadura sangrenta. Em 2001 foi o ataque terrorista e suicida às torres gémeas de Nova Iorque, provocando cerca de 3000 mortes. Efemérides para todos os gostos… e desgostos.

Na Catalunha a data é assinalada com manifestações pela plena autonomia da nação catalã – a Diada. No Chile, no 40º aniversário do golpe, canta-se Victor Jara. Mas os pinochetistas, organizados numa coisa que se chama “Corporação 11 de Setembro”, organização criada para “defender o legado do governo das Forças Armadas e dos Carabineros (polícia militarizada chilena), que salvou o país do marxismo”, desdobram-se em homenagens aos criminosos. É espantoso como a democracia se vulnerabilza ao permitir que os inimigos se organizem para a tentar destruir. Em Nova Iorque, o 12º aniversário da tragédia, dará lugar a actos solenes, discursos emocionados, a evocações daqueles momentos infernais.

Nós hoje, daremos voz à Catalunha e a Victor Jara, sem deixarmos de lamentar as vítimas de Nova Iorque e de Madrid. O terrorismo é uma forma de luta indigna. Porém, muitas vezes a impotência e a humilhação conduzem os que se sentem espezinhados a manifestar o seu ódio dessa maneira. Pergunta-se se os bombardeamentos israelitas sobre as aldeias palestinianas serão uma forma nobre de combater. Matando crianças e populações civis indefesas, criam o ódio que transforma seres normais em terroristas. Sabe-se que os clérigos islamitas são sinistros e que a própria religião islâmica se tornou retrógrada. Será que num mundo em que os Estados Unidos, a poderosa superpotência, não humilhasse os muçulmanos e não lhes tivesse enquistado uma pulga maligna chamada Estado de Israel, a cleresia teria tanto sucesso?

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