O problema da India são as exportações, não a rupia – por Swaminathan S. Anklesaria Aiyar

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

King Canute considerariafácil a vitória. O ministro indiano das Finanças Palaniappan Chidambaramlutou contra os mercados cambiais durante mais de doismeses, tentando conter o colapso da rupia indiana de passar de55rupias por um dólar paraem Mio para 65 rupias por dólaresta semana. Ele considerou que combater contra os mercados cambiais era ainda mais difícil que lutar contra as ondas do mar.

Ele deveria parar de lutar contra os mercados cambiais. Ter uma rupia mais fraca não é inerentemente uma coisa terrível. Em vez de se estarfreneticamente a querer apoiar a moeda nacional para não deixar cairo seuvalor face às outras moedas.Chidambaramdeve antes procurar visar os impedimentos estruturais na economiaque levaram os investidores indianos e estrangeiros a perder a fé na história daÍndia que outrora jáfoibrilhante.

A queda da rúpiaé uma questão política e não é um desastre económico e político. A queda da rupia leva à subida dospreços dos bens importadose agrava a inflação no período de preparação para a próxima eleição geral, quando se está apenas a oito meses de distância.Numa tentativa de apoiar a moeda nacional, o governo aumentou os direitos de importação sobre o ouro e sobre os bens de consumo duráveis e elevou as taxas de juro de curto prazo para conter a especulação cambial.

O que é mau para as perspectivas eleitorais pode, no entanto,ser bom para uma economia com um défice da sua balança corrente que atingiu 4,8 por cento do PIB.Uma rupia mais baratavai incentivar as exportações e desestimular as importações. A inflação vai corroer algumas dessas vantagens aparentes. Na verdade, a queda darupia de 45 para 60 por unidade dólara partir de 2011 até Junho de 2013 não levantou em nada as exportações indianas: as vantagens foram neutralizadas por uma altainflação e porum clima péssimo em termos de perspectivas na actividade económica.No entanto, as exportações aumentaram 12 por cento em Julho, sugerindo que a rupia pode finalmente ter caído jábastante.
Um nascimento estrangulado
O perigo agora é que odisfuncionamentona economia indianapossa vir aestrangular qualquer boom incipiente de exportação logo à nascença. O crescimento do PIB desacelerou para 5 por cento no ano passado, depois de ter sido de 8,5 por cento ao longo de uma década. A indústria e também asexportações, pelo menosaté ao pequeno aumento recente,estagnaram. A inflação disparou. O déficena balançacorrente é quase o dobro do que o Banco Central dizsersustentável. Há umano atrás, as empresas de rating ameaçaramcolocar a India ao nível do lixo

Chidambaram foi chamado ao Ministério das Finançaspara evitarque os mercados fiquem com estaideia. Ele decidiu cortar o défice orçamentalde 5,8 por cento do PIB para 4,9 por cento, e prometeu mais uma maior redução este ano. Ele iniciou reformas, incluindo a liberalização àentrada para os gigantes da venda a retalhocomo a Wal-Mart Stores Inc.
A esperança era de que a disciplinaorçamentalmais as reformas poderiam dinamizar a actividadeeconómica, poderiam despertaros animal spiritsentre os investidores, e produziruma retomaeconómicaantes das eleições. O plano estava previsto ser aplicado até Maio:a inflação caiu, as taxas de juro desceram por três vezes, e houve entrada de capitais externos na ordem dos 20 milhares de milhões,que se tratou deinvestimentos estrangeiros em carteira.Mas depois do Presidente do Fed, Ben S. Bernanke ter dito que em breve e de modoprogressoiria reduzir o programa de flexibilização quantitativa, induzindo assim mais altastaxas de juros,milhares de milhões dedólaresabandonaram os mercados emergentes e com destino aosEUA, em busca de rendimentos mais elevados. Todas as moedas dos países ditos de mercados emergentes caíram face ao dólar, incluindo a rúpia.

Altos funcionários do Ministério das Finanças argumentam que a rupia ao valor de65 rupias por dólar é irracional, um caso claro de sobre-reacção na desvalorização, uma situação desobre-depreciação.As autoridades indianasesqueceram-se de duas máximas de John Maynard Keynes. Uma delas é que as pessoas vão finalmente fazer as coisas de modoracional, mas apenas depois de explorar todas as outras alternativas. A segunda é que os mercados podem ser irracionais por muito mais tempo do que cada um de nós pode permanecer solvente nos mercados.
As reservas cambiais da Índia são substanciais e atingem o valor de 280 mil milhões de dólaresmas a dívida externa a ser renovada ao longo do próximo anoé demais de US $ 170 mil milhões daqui que abrir mão das reservas cambiaisnão é uma boa opção. Chidambaram bem tem procurado outras maneiras de preencher o défice da balança corrente: títulos quase-soberanos, liberalizaçãodos empréstimos contraídos no exterior pelas grandes empresase uma emissãoespecial de obrigações para os indianos a viver no estrangeiro.

Mas atrairdólares não é suficiente. Subjacente à desaceleração económica estáuma greve virtual de investimentos levada a cabo pelos empresários indianos, que justificampelo clima por eles considerado de terrível que se vive na Índia quanto à actividade económica.A corrupção é uma questão importante. Em áreas como o imobiliário, minas,e contratos públicos, os negócios honestos desde há muito tempoque são praticamente impossíveis. Mas o negócio desonesto com subornos pode ser feito, e manteve essas partes da economiaemcrescimento. Recentemente ossubornos tornaram-se mais difíceis, por vezes até mesmoimpossíveis, depois dos activistasteremcomeçado ainvestigarfraudes, sustentadospor uma nova lei sobre o direito à informação que coloca os arquivos do governo expostos ao escrutínio público. Resultado: A burocracia parou de se movimentar entre os arquivos.

Nenhum entusiasmo

Muitos empresários indianos dizem que preferem investir no exterior do que na Índia. Apollo Tyres Ltd. (APTY), fabricante de topode pneus na Índia, adquiriu Cooper Tire & Rubber Co. (CTB), nosEUA, e diz que as suas próximas prioridades de investimento estão situadas na Sérvia, China e México. Se Chidambaram não consegue animar os empresários situados na Índia, será que será realmente capazde entusiasmar os estrangeiros?

Infelizmente, as reformas do ano passado não se traduziramem grandes encomendas de equipamentos e de máquinas, do género de que iria começar umverdadeiro surto de desenvolvimentoindustrial e de exportações. O investimento estrangeiro no sector de vendas aretalhopode ter sido liberalizado, mas sãotantas as condições que lhesestão ligadasque por esta via nenhum dólar terá entrado. O gabinete poderá apenas ter avaliadoe autorizadoprojectos novalor de 17 milhões de milhões de rupiasmas estes não produziram a explosão esperada de ordens de encomenda.Nalguns casossão necessáriasmesmo maisautorizações a partirdos governos estatais. Noutros casos, os empresários estão a adiarinvestimentos até a economiaentrar numa situação de retoma..

Chidambaram não tem armas suficientes paradefendera taxa de câmbio. Em vez disso, ele deveria concentrar-se na conversão de projectos aprovadosem investimentosfisicamente realizadose aproveitar a situação da rupia mais barata para conseguirlevar a cabo um boom de exportações. Se o investimento e as exportações começam a aumentarnovamente, a confiança dos empresários irá regressar.E será assim que a rupia iráser uma moeda bem mais forte.

Swaminathan S. Anklesaria Aiyar,India’s Problem Is Exports, Not the Rupee, Cato Institute, Estados Unidos.

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