O CONCEITO DE FOLHETIM
Iniciaremos em breve a publicação de romances em folhetins. Não se trata de, como temos feito, de dividir em partes um livro já editado publicando um segmento por dia. Não. O autor, que é um dos colaboradores do nosso blogue, concordou em escrever um romance segundo as regras do folhetim – capítulos relativamente curtos, acabando sempre que possível numa situação intrigante, misteriosa. Aquilo a que no Brasil chamam «gancho». Um gancho que agarra o leitor e o leva a ler o episódio seguinte. Antes de iniciarmos a publicação, falaremos um pouco sobre os folhetins, sobre o conceito, a sua génese, a sua expansão em Portugal.
O folhetim, do francês feuilleton, folha de livro, ou roman-feulliton, pode ser definido como uma narrativa romanesca, segmentada em pequenos capítulos editados em sequência temporal. A designação não determina o conteúdo, nem a índole da história – apenas refere a forma como é publicada. Quanto ao conteúdo, deve ser redigido num estilo ágil, com abundância de acontecimentos e, sempre que possível, cada capítulo deve terminar de forma misteriosa, remetendo a solução do mistério para o capítulo seguinte. A moda dos folhetins começou em França na primeira metade do século XIX. Grandes escritores como Alexandre Dumas, Balzac, Zola, publicaram livros em folhetins. No entanto, regista-se uma estirpe de folhetinistas, de escritores que adoptaram o folhetim como meio preferencial – Ponson du Terrail, Paul Féval, Eugène Sue… Ponson du Terrail criou a figura que se transformou num ícpne do universo folhetinesco – Rocambole, cujas aventuras criaram um novo adjectivo – rocambolesco.
Em Portugal o sistema chegou um pouco mais tarde. Mas implantou-se solidamente. Disso falaremos amanhã.
