MATAR, SIM, MAS DE UMA FORMA “CONVENCIONAL” – por Octopus

Imagem1

Uma forma curiosa de   matar é a chamada forma “convencional”. Matar, sim, mas dizem as   convenções, tem de ser feito de uma foram convencional. Nada de armas   químicas, tem de ser uma bomba mesmo a sério. Outra coisa curiosa é   que não se pode matar populações civis, como se os soldados não fossem gente.

Perante isto, ao longo   dos tempos as formas de matar foram-se alterando. Num dado contexto tudo é   permitido, noutro só se pode matar certas pessoas de uma certa forma. Essas   alterações têm permitido certas barbáries em detrimento doutras. Esse contexto   ajuda-nos a aceitar o que é permitido ou não, tudo em nome da matança. Porquê priviligiar   “as mulheres e as crianças”. Uma morte não deixa de ser uma morte.   A morte de um soldado, muitas vezes obrigado a lutar por uma causa que não   entende, não deixa de ser uma morte.

A morte de um qualquer   ser  nunca poderá ser banalizada, porque essa morte representa a morte   de um ser único, com toda a sua história, com toda a sua vivência única. Essa   morte representa a nossa própria morte. Falar de mortes   “admissíveis” representa a nossa própria morte. Nenhuma morte é   admissível, seja criança, mulher ou soldado. Nenhuma morte é convencional.

Armas químicas: matar   de uma forma diferente…

Muito se fala de   ataques de armas químicas, mas será isso muito diferente de matar de uma   forma “limpa”. O que é matar de uma forma “limpa”? Um   bombardeamento com armas “convencionais” é mais limpa?

No campo puramente de   “armas” que se consideramos “inadmissíveis”, os Estados   Unidos ficam muito mal na fotografia.

1- Os americanos   pulverizaram 80 milhões de litros de produtos químicos no no Vietname entre   1962 e 1971

Estes produtos tóxicos   destruíram culturas e vidas inocentes. Calcula-se que 400 000 pessoas foram   mortas ou sofreram lesões para o resto da vida, 500 000 mal-formações de   recém-nascidos e mais de 2 milhões de pessoas vítimas de cancro.

2- Israel ataca civis   palestinianos com fósforo branco entre 2008 e 2009.

Esta arma química   queima as pessoas até aos ossos. De início negado pelo governo, foi depois   admitida. Até a ONU na faixa de Gaza foi atingida.

3- Em 2004, as forças   armadas americanas atacaram iraquianos com fósforo branco.

De início os Estados   Unidos recuaramo a acusação , depois admitiram que era para criar uma   barreira de fumo para iluminar os alvos.

4- A CIA ajudou Saddam   Hussein a massacrar curdos durante a guerra de 1988.

A CIA sabia do uso de   armas químicas por parte de Saddam Hussein durante a guerra Irão-Iraque, foi   durante este período que forneceu as coordenadas para os ataques a aldeias   curdas matando mais de 5000 pessoas.

5- A CIA testou   produtos químicos nos bairros pobres de São Louis, nos Estados Unidos.

Nos anos 50 foram   instalados difusores de gases tóxicos no cimo de certos edifícios, isto no   quadro da Guerra Fria. Estes deveriam criar um ecran de fume perante o   inimigo. Esses gases nunca foram revelados, contudo, muitas pessoas durante   este período morreram de cancro.

6- A polícia rega de   gás lacrimogénio os manifestantes de Occupy Wall Street em 2011.

 Neste contexto foram   utilizados gases lacrimogénios e outros que se desconhecem.

7- Em 1973, durante o   ataque a Waco foram utilizadas armas químicas.

No Texas numa   comunidade pacífica religiosa adventista foi utilizado um gás altamente   inflamável que matou 49m homens e mulheres e 27 crianças.

8- Em 2003 o Iraque   foi coberto com urânio empobrecido.

O Iraque foi atacado   com milhares de toneladas de bombas com urânio empobrecido, dando origem a   numerosas morte por cancro e mal-formações fetais.

9- Entre 1944 e 1945,   as forças americanas mataram milhares de civis japoneses.

Essas mortes foram   devidas ao napalm, um gel colante e inflamável. Esse napalm foi utilizado   pelos Estados Unidos no Japão para matar mais de 100 000 pessoas e deixar   milhões inválidos.

10- Finalmente, apesar   das bombas nucleares não serem consideradas “químicas”, elas libertam   muitos componentes radioactivos que quando não matam no momento da largada,   deixam milhões vítimas de cancro.

——————————

Este artigo foi   baseado num artigo de Wesley Messamore publicado no:

http://www.policymic.com/articles/62023/10-chemical-weapons-attacks-washington-doesn-t-want-you-to-talk-about


1 Comment

Leave a Reply