EDITORIAL – A AUSTERIDADE VAI CRIAR 25 MILHÕES DE POBRES NA EUROPA

Imagem2A Oxfam International é uma ONG que actua em mais de uma centena de países, procurando soluções para problemas como os da pobreza e da injustiça. Oxfam é o acrónimo de Oxford Committee for Famine Relief  (Comité de Oxford para o Combate à Fome), foi fundada em Oxford no ano de 1942. A Oxfam, vem num relatório dizer aquilo que tem sido dito e redito em todos os tons e estilos – entre o branco e o vermelho, entre a sensatez paciente e a raiva incontida, entre uma semântica domesticada e a picardia ordinária e sem limites formais; tem sido dito em tom sério, com gráficos a apoiar a argumentação, e em brejeirices de cartoons e anedotas. Não fazia falta o relatório da  Oxfam ou, pelo menos, faz tanta falta como um electrocardiograma que fique pronto depois do funeral, confirmando um fatal insuficiência cardíaca… E o que diz a Oxfam?

Diz que ou a Europa emenda a mão ou o resultado das medidas de austeridade será apenas um – mais pobreza. E refere Portugal como um dos casos onde as políticas seguidas estão a beneficiar apenas os mais ricos e a colocar o país em risco de se tornar num dos mais assimétricos do mundo. De acordo com o relatório da Oxfam, se nada for feito e as medidas de austeridade actualmente em vigor continuarem a ser aplicadas, em 2025 estarão em risco de pobreza cerca de 25 milhões de europeus. “Apelamos para os Governos europeus pedindo-lhe que apliquem um novo modelo social e económico que invista nas pessoas, reforce a democracia e procure um sistema fiscal justo”.

Em vésperas do encontro dos ministros europeus da Economia, a Oxfam pretende alertar os responsáveis políticos para que os resgates financeiros que têm vindo a ser feitos apenas estão a causar níveis de pobreza e de desigualdade que podem perdurar décadas. “Pelo contrário, as medidas de austeridade não estão a conseguir reduzir o nível de endividamento tal como se supunha que fariam, nem a impulsionar um crescimento económico inclusivo”, diz o relatório. Tudo coisas que já sabíamos. Mas não faz mal repeti-las.

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