SUCEDÂNEOS DO FOLHETIM – FASCÍCULOS, RADIONOVELAS E TELENOVELAS

O folhetim, explorando as emoções, as contradições da condição humana, o contraste entre a fortuna e  a miséria, apresentando enredos sedutores em que gente comum, gente pobre, ascendia ao palco da fama artística ou do poder político, com operárias fabris a ser requestadas por príncipes, facilmente se instalou como hábito cultural. Dizia-se «Sabemos que é fantasia, mas faz-nos esquecer a realidade triste das nossas vidas».

E fez surgir um negócio editorial – o dos romances em fascículos. Embora o chamado “livro de cordel” viesse do século XVIII – Folhas dobradas em páginas e que substituíam a encadernação por um cordel que as mantinha unidas. “Folletos pelo meudo” ou “papéis volantes” como eram chamados e surgem retratados pela pena de Nicolau Tolentino no soneto O Bilhar, que falando de um poeta diz que Todos os versos leu da Estátua Equestre/E todos os famosos entremeses,/Que no Arsenal ao vago caminhante/Se vendem a cavalo num barbante.

Nos fascículos de entrega periódica, geralmente semanal, a técnica narrativa era a do folhetim – enredos imaginosos, férteis em situações imprevistas e terminando de forma misteriosa, agarrando o leitor e deixando-o em suspenso até à entrega seguinte.

Afinal a mesma técnica que, por meados do século XX, se usaria nas radionovelas e nos anos 70 surgiria nas telenovelas. De tudo isto, amanhã falaremos.

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