O LIVRO DAS MARAVILHAS – por Fernando Correia da Silva

<

Um Café na Internet
                                                                                                          

O Livro das Maravilhas faz sucesso. Mas os venezianos insistem: Marco Polo é, e será sempre, Messer Millione. Ele encolhe os ombros. O mundo é variado e cada povo quer conformar o mundo à imagem que dele faz, e tanto vale uma imagem quanto vale a outra. Cala, não comenta, não discute, o orgulho não o deixa perder as estribeiras. Aprendeu a viver bem e já pensa morrer velho. Guarda-se para o fim. Só então revida, já nada mais tem a perder. Em 1324, no leito de morte, frente a um crucifixo que lhe dão a beijar, Messer Millione diz para os que o exortam a confessar a falsidade de tudo quanto narrou:

 

– Homens, do que vi, nem sequer tive tempo de contar a metade.  Tacanhos que vós sois…   

    

Século e meio depois um navegante iluminado irá devorar as páginas d’O Livro das Maravilhas. Pensa poder encontrar a fabulosa Catai por ocidente, no outro lado do grande Oceano Atlântico. Seu nome: Cristóvão Colombo.

Leave a Reply