EDITORIAL – PAZ E GUERRA NO MÉDIO ORIENTE

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Felizmente que falhámos nas previsões de uma guerra imediata no Médio Oriente. Felizmente por que uma guerra causa sempre estragos enormes, e esta com certeza não seria excepção. Ainda por cima tendo em conta a habitual táctica americana: bombardeamentos pesadíssimos e indiscriminados, procurando destruir não só alvos militares mas também lançar o terror entre a população, causando sempre muitas vítimas. Mesmo que depois os autores resolvam pedir desculpas, quando os excessos são demasiado óbvios. Ao fim e ao cabo os EUA continuam a não aderir ao Tribunal Penal Internacional por alguma razão.

A razão fundamental para esta trégua, que terá sido combinada com a Rússia, foi a percepção de que há uma oposição generalizada entre a população de todos os países, exceptuando talvez a de Israel, em relação a este conflito. Com efeito, a experiência dos últimos anos está presente e é impossível ignorá-la. As guerras no Iraque e no Afeganistão não contribuíram de modo nenhum para a felicidade dos povoa iraquiano e afegão, nem para a dos norte-americanos ou dos europeus em geral. Só alguns políticos e militares, assim o mundo dos grandes negócios, lucraram com estes conflitos. Há um sentimento generalizado sobre esta matéria, apesar de toda a manipulação da informação que vai ocorrendo.

É evidente que Assad e o seu grupo não são de modo nenhum um grupo inofensivo de boas pessoas. De modo nenhum. Mas a melhor maneira de apoiar os sírios não é entrar-lhes pela casa dentro a partir tudo, e a apoiar uns senhores que ainda são piores que os actuais dirigentes. Não se conquista o apoio das pessoas, bombardeando-as e tratando-as como cretinos.  Por outro lado, para se obter uma paz a sério, é preciso remover os factores causadores de tensões. No Próximo e Médio Oriente em concreto isso passa por resolver o problema palestiniano, reconhecendo a estes a dignidade de um povo, e convencer Israel que não é mais do que um país como os outros. E, de uma maneira mais geral, acabar com o negócio de armamento. 

1 Comment

  1. A guerra é sempre uma derrota, João Machado. MUjica, o presidente do Uruguai é quem tem razão: os bombardeios devem ser de leite e biscoitos. Nada mais.
    abraço da
    Rachel Gutiérrez

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