A bolha. A especulação. O sistema. Os mercados. A globalização. Os ajustamentos. O euromilhões. Não há acasos. Nem méritos. Trata-se de pura manipulação. Este contrato (como tantos outros) faz parte de um conjunto de emboscadas de uma guerr…a que está a ser travada pelo capital financeiro (especuladores sob a eufemística designação de mercados) contra os povos. Estes contratos em tempo d grave crise a vedetas mediáticas não tem nada a ver com o seu valor artístico, e tem muito pouco a ver com o valor que geram diretamente. Aquilo que estes contratos astronómicos querem dizer e fazer crer é que a desigualdade é natural. Que é natural uns (muito poucos) ganharem fortunas e outros (a enorme maioria) serem remunerados miseravelmente. Que é natural que o dinheiro pago por alguma coisa nada ter a ver com o valor real do produto – que a financiarização da economia é natural. Este contratos são manobras deliberadas para fazerem aceitar os resultados de uma crise também deliberada para provoca os resultados de empobrecimento que está à vista e ainda não terminou (o chamado reajustamento).
Estes salários fazem regredir a sociedade ao sistema de castas e privilégios das mais primitivas monarquias.Tal como nas monarquias, onde a riqueza é determinada pelo nascimento, ou, em casos excepcionais, pela sorte e a aventura, o monstruoso salário de Ronaldo também quer dizer às massas que a acumulação de riqueza, além de ser independente do trabalho, não é imoral, nem classista, pois até um rapaz nascido pobre e no seio de uma família problemática, numa região deprimida, pode ser contemplado. É-se Ronaldo como antigamene se era el-rei: por graça divina (aparente)!
Estes salários – a decisão de os pagar – são o reflexo de um ideologia e fazem parte da estratégia de levar as grande massas de europeus, em particular as classes médias baixas – a interiorizarem a sua decadência, pensando que lhe escaparão se tiverem a mesma sorte dos Ronaldos, ou dos Bales, ou dos Mourinhos, vá lá. É também para cumprirem o mesmo desígno de dissipação da revolta, oferecendo uma esperança, que a Europa neoliberal criou o euromilhões e impediu a aprovação de uma pequena taxa sobre transações financeiras!