EDITORIAL – DILMA ROUSSEFF CANCELA A VISITA A OBAMA

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Dilma Rousseff cancelou a viagem aos EUA prevista para Outubro, segundo as notícias. Na próxima semana vai discursar na ONU. Uma das estratégias delineadas por Obama para a América Latina, neste seu segundo mandato, seria dar prioridade a uma aproximação com o Brasil, sobretudo desde que Dilma é presidente. Essa opção parece assim estar comprometida, e a razão terá sido a revelação de Edward Snowden, sobre a dimensão da espionagem americana no seu país, sendo que a própria presidente brasileira tem sido espionada pela NSA – National Security Agency. O Brasil pediu explicações aos EUA e o fim da espionagem, e não obteve até à data resposta satisfatória.

Dilma Rousseff também está pressionada pela situação interna no seu país, que não lhe permite falhas, nem mostrar falta de firmeza. Quanto a Obama, por seu lado, está cada vez mais à vista que não tem grande margem interna de manobra. E será sem dúvida um tema interessante para os historiadores futuros discutirem quais as decisões tomadas no seu mandato que eram realmente desejadas por ele, e as que lhe foram impostas.

O Brasil está cada vez mais num período em que tem de escolher um de dois caminhos. Ou envereda decisivamente por um caminho de grandes mudanças estruturais, que terão de ser realmente muito grandes, tendo em conta a dimensão e a diversidade do país, e muito progressistas, para poder contar com a adesão e a participação de uma ampla maioria dos seus cidadãos, ou entra numa fase de prioridade à estabilização, que equivalerá quase inevitavelmente a um retrocesso.

Mas os EUA também estão numa encruzilhada. Se quiserem deixar o papel de polícia do mundo, cuja credibilidade está cada vez mais reduzida,  e melhorarem as suas relações com os outros países, terão de deixar as acções de espionagem global e acabar com o aparato militar à volta do mundo. Isso significará grandes alterações a nível interno, não só no externo. E isso implicará também reverem o seu papel de fortaleza financeira, o que causará problemas à sua oligarquia.

Para além destas grandes opções, há um aspecto que os dois países têm de considerar: nem um nem o outro tem legitimidade para exercer papéis de polícia, de guia, farol, ou seja do que for em nome de outras nações, no continente americano, ou seja onde for. Isso deverá ser levado em conta nos acordos bilaterais entre os dois países. O equilíbrio e a paz no continente americano e no mundo nunca poderão ser atingidos num sistema hierárquico entre os países, em que haja superpotências, potências médias e protectorados, como no sistema que actualmente está em vigor, imposto usando pressões militares e financeiras.

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