POESIA AO AMANHECER – 290 – por Manuel Simões

poesiaamanhecer

MARIA DO SAMEIRO BARROSO

( 1951 )

DE QUE FALA O SILÊNCIO

O tempo é anterior a ti, a mim, a nós,

e nada está escrito, excepto essa interioridade

que habita a inocência das palavras,

consumando o corpo, o seu início, o seu extremo,

deixando o espírito intacto para fruir

esses momentos puros, primordiais,

nessa abertura,

lâmpada rútila, navio eloquente, frémito intacto,

chama preciosa que, de outra forma,

tudo diz, tudo revela,

no tempo esquecido, no tempo sem tempo,

entre a magia e a volúpia,

no luar, no silêncio,

no tempo das clepsidras esquecidas.

(de “Meandros Translúcidos”)

Poetisa, tradutora de poesia alemã, e ensaísta. Da sua obra poética: “O Rubro das Papoilas”(1987), “Jardins Imperfeitos” (1999), “Meandros Translúcidos” (2006), “Amantes da Neblina” (2007), “As Vindimas da Noite” (2008), “Poemas da Noite Incompleta” (2010).

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