por Rui Oliveira
Assinalando a abertura do programa “Paris-Lisboa” (patrocinado pelo Institut Français de Portugal) que celebra os 15 anos da assinatura do Pacto de Amizade entre as duas cidades, o São Luiz Teatro Municipal tem o «privilégio» de apresentar na sua Sala Principal a partir desta Quinta-feira, 19 de Setembro a estreia mundial de «um projecto audacioso que viaja pela história do século XX e se move entre duas línguas e duas culturas» (do programa). Quase trinta anos depois da festejada criação de Ariane Mnouchkine, o Théâtre du Soleil reinventa a peça de Hélène Cixous “L’Histoire terrible mais inachevée de Norodom Sihanouk,
Roi du Cambodge (A História terrível mas inacabada de Norodom Sihanouk, Rei do Camboja), remontando-a em língua khmer.
Será apresentada em três tempos – 1ª Época, no dia 19; 2ª Época, no dia 20, ambas às 20h30; e, finalmente, a epopeia integral no Sábado, 21, às 16h. É o resultado de um longo processo de trabalho de encenação de dois actores míticos da companhia, Georges Bigot e Delphine Cottu, com um conjunto de jovens cambojanos oriundos de uma escola muito particular, Phare Ponleu Selpak, que procura, pela via das artes, uma intervenção em áreas prioritárias num país devastado pela sua história recente. Desta vez, são os descendentes das vítimas dos Khmers Vermelhos, eles mesmos, que vêm contar-nos a história dolorosa e caótica do povo cambojano, apanhado pelos tormentos do século XX.
Esta co-produção Théâtre du Soleil tem assim como intérpretes Chea Ravy, Chhit Chanpireak, Chhit Phearath, Horn Sophea, Houn Bonthoeun, Huoth Heang, Huot Hoeurn, Khuon Anann, Khuonthan Chamroeun, Mao Sy, Nouv Srey Leab, Nut Sam Nang, Ong Phana, Pin Sreybo, Pov Thynitra, Preap Pouch, Sam Monny, Sam Sarry, San Marady, Sim Sophal, Sok Doeun, Sok Kring, Thorn Sovannkiry, Uk Kosal, Uk Sinat, acompanhados pelos músicos Norng Chantha, Pho Bora, Pring Sopheara, Vath Chenda.
É possível ouvir aqui depoimentos de alguns destes actores particulares e ver em seguida alguns excertos da representação desta companhia algures nos Alpes franceses (Vénissieux) em Novembro de 2011 :
Prossegue nesta Quinta-feira, 19 de Setembro o (já divulgado) “Festival Cantabile 2013 – A Arte da Música de Câmara”, uma co-produção do Goethe-Institut com a Fundação Calouste Gulbenkian e a Academia das Ciências de Lisboa, realizando-se no Salão nobre desta Academia (Rua da Academia das Ciências, nº 19), às 19h30, o seu Concerto nº 5 sob o título «Mozart e Viana». A entrada é livre, embora com reserva prévia.
Serão intérpretes, como Solistas do Festival Cantabile, Lena Neudauer, violino, Diemut Poppen, viola e direcção, Sebastian Klinger, violoncelo e Alexander Lonquich, piano e direcção (na imagem acima).
Além da Orquestra Gulbenkian estará presente Erik Heide, como concertino.
No programa ouvir-se-á de :
Wolfgang Amadeus Mozart Sinfonia Concertante para violino, viola e orquestra em Mi bemol Maior, K. 364
César Viana Sermad, para violino e viola
Wolfgang Amadeus Mozart Concerto para piano e orquestra nº 9 em Mi bemol maior, K. 271 [“Jeune homme”]
Não havendo registo destes intérpretes, ouça-se a gravação histórica de 1949 desta última peça (que se pensa escrita para a célebre pianista Mademoiselle JeuneHomme) da Orquestra de Concertos Lamoureux sob a direcção do maestro Paul Paray com Gaby Casadesus como pianista :
Entretanto a Orquestra Metropolitana de Lisboa, em parceria com a Casa da América Latina, leva o segundo concerto da temporada à Aula Magna da Universidade de Lisboa nesta Quinta-feira,
19 de Setembro, às 21h, que designou “À Descoberta da América IV”, onde a entrada é livre (mediante reserva).
Sob a direcção musical de Alejandro Posada, com Nuno Silva em clarinete, a orquestra «parte à descoberta da música que nos chega do continente americano». “Primeiro, com o Concerto para Clarinete de Aaron Copland, o compositor que, por excelência, melhor representa o florescimento da tradição musical clássica nos E.U.A. que se verificou no último século … Esta obra, em particular, foi escrita em 1948 para Benny Goodman, «o» grande clarinetista do Jazz “ (diz o folheto da OML). “Depois, abre-se a porta para um terreno menos desbravado entre nós, a música da Colômbia … (onde) poucos reconhecerão melodias tão populares no mundo hispanófono como são os casos de El camino de la vida e Pueblito viejo, verdadeiros ícones da Região Andina …”.
O programa integral inclui de :
Aaron Copland Concerto para Clarinete e Orquestra
Alejandro Tovar Serenata en Málaga
Luis Antonio Calvo Malvaloca (dança) (arr. de Blas Atehortúa)
José Alejandro Morales Pueblito viejo (arr. de Eduardo Carrizosa)
Héctor Ochoa El camino de la vida (arr. de Félix Morgan)
Pedro Morales Pino Fantasía sobre temas colombianos
Lucho Bermúdez Colombia tierra querida (arr. de Félix Morgan)
O leitor tem aqui (agradecendo ao YouTube) a primeira peça tocada pela Columbia Symphony Orchestra dirigida pelo próprio Aaron Copland com o “destinatário” Benny Goodman a tocar o clarinete :
Também na Quinta-feira, 19 de Setembro, no Auditório do Museu Fundação do Oriente, às 21h30, tem lugar um espectáculo de fado diferente e menos comum, já que Marta Pereira da Costa
é talvez a primeira (e única ?) mulher a dedicar-se profissionalmente à difícil arte de tocar fado na guitarra portuguesa. Intitulou-o “Uma Mulher, Uma Guitarra” e é das suas primeiras apresentações a solo em salas lisboetas.
Tendo como convidados especiais Kátia Guerreiro e Camané, o guitarrista José Manuel Neto e a acordeonista e cantora Celina da Piedade, além dos músicos que frequentemente a acompanham (Pedro Pinhal, na viola de fado, e Rodrigo Serrão, no contrabaixo), Marta Pereira da Costa revisitará os grandes nomes da história do fado e da guitarra portuguesa, especialmente os que mais a influenciaram como Armandinho, José Nunes e Carlos Paredes, bem como alguns dos mestres na sua ainda curta carreira, como Mário Pacheco e José Fontes Rocha.
Ouvir-se-ão ainda algumas das suas próprias composições.
Duma sua actuação recente (Março de 2012) no Hugh’s Room em Toronto (Canadá), acompanhada à viola por Pedro Pinhal, mostramos-lhe um registo :
Ainda na Quinta-feira, 19 de Setembro, registe-se que no Teatro do Bairro (Rua Luz Soriano, nº 63, ao Bairro Alto)
a encenadora (e autora do Projecto) Rosa Coutinho Cabral repõe o que há meses montara na LxFactory, uma versão de “Bartleby, o Escrivão” de Herman Melville designada “Bartleby – Um Experimento de Melville”, com cenário de Andreas Stöcklein e música de José Carlos Pontes, de Quinta 19, às 21h até Domingo 20, às 18h.
Baseado naquele conto, relata a relação invulgar entre um homem de leis e o seu escrivão, que prefere “nada fazer” e é a descrição das tensões que nascem do confronto entre a acção humana e algo que é referido no texto, a resistência passiva. “Este percurso para a não-acção, para a inactividade, que só pode conduzir a qualquer coisa como a morte, é contudo mais do que isso” (diz o crítico do último Atual)… “Esta leitura que se torna cénica e plástica é uma tentativa de dar forma teatral a interrogações : o que se passa na cabeça do narrador ? E na das personagens ?”.
E chega por hoje, caros (e cansados) leitores.






