POESIA AO AMANHECER – 292 – por Manuel Simões carlosloures20 de Setembro de 201319 de Setembro de 2013Geral Navegação de artigos PreviousNext ANTÓNIO CÂNDIDO FRANCO ( 1956 ) ÁGUA (fragmento) A água é terra antes de estar sólida. O homem deita-se nela à espera. Pouco a pouco o peito torna-se podre. É uma caverna pantanosa que respira anéis de enxofre. A carne dissolve-se em Iodo. Afunda-se nos limos da terra, húmido lume. As águas trazem o sono. Calcinam-nos os membros, inflamam-nos o sangue. Deitado em lençóis de cal o homem desfaz-se em Iodo e depois em sonhos. O sangue é o combutível da luz. (…) As águas profundas reabsorvem as cinzas. A saudade desfaz-nos o corpo em febre. Fezes. Sobre o Iodo aparecem estrelas de oiro círculos brilhantes de luz, pedras brancas de sal. (de “Poesia Digital”) Crítico literário, ensaísta, poeta e dramaturgo. Estudioso do Surrealismo e de Teixeira de Pascoaes. Incluído em “Poesia Digital. 7 poetas dos anos 80” (2002) e reuniu a sua obra poética em “Estâncias Reunidas. 1977-2002 (2003). Share this: Share on Facebook (Opens in new window) Facebook Share on X (Opens in new window) X Share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn Share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp Email a link to a friend (Opens in new window) Email More Print (Opens in new window) Print Like this:Like Loading...