EDITORIAL: PORTAS, A ECONOMIA… E UM SUBMARINO PROVIDENCIAL

Imagem2Hoje, fazemos questão de não falar das eleições alemãs, não especularemos sobre o que levou a CDU de Merkel a obter uma fulgurante vitória. Há neste blogue analistas que nãao deixarão de fazer. Falemos das eleições que temos no próximo domingo e que vão configurar um novo mapa do poder local. O espectro político português, temo-lo dito, está mal arrumado, sobretudo a direita, que começa no interior do Partido Socialista e vai até ao CDS. Um PS que programaticamente se define como social-democrata, um Partido Social-Democrata que nada tem a ver com a social-democracia, um partido democrata-cristão que não passa de um grupo de gente que, sem lugar num PSD onde a luta pelo protagonismo e pelas suas vantagens, criou um nicho próprio e onde qualquer nulidade bota figura. No fundo, a “sensibilidade” dominante do PS, o PSD e o CDS, constituem um «Bloco de Direita», neo-liberal, que bem podia funcionar sob uma sigla comum. Impedimentos ideológicos, nesta gente cuja genealogia passa pelo partido único do salazarismo, não os haveria – só que com um leque de siglas mais amplo, se obtêm mais lugares no Parlamento. O mesmo pescador, usando várias canas, apanha mais peixe.

Paulo Portas pode ser acusado de muitas coisas, mas não de estupidez – foi um jornalista hábil, embora puxando para a chicana, é um orador desenvolto, servindo-se de uma superficialidade que em política é virtude  e costuma dar pelo nome de demagogia. Estes atributos, no entanto, estão ao serviço de uma táctica pobre e de uma estratégia inexistente, que se esgota num objectivo – eleições. Como uma máquina sofisticada cuja única função seja a de produzir o carburante necessário ao seu funcionamento inútil. Assim à imagem do seu líder, é o próprio CDS, um partido que se afirma democrata-cristão. Seja lá o que for a democracia-cristã fora do contexto histórico em que foi criada. Talvez Freitas do Amaral seja capaz de explicar o que pretendeu fazer. De Paulo Portas e do grupo de gente sem princípios, mas com fins pessoais muito definidos, não se esperem explicações.

Pois o líder deste partido irrelevante, cujo grupo parlamentar já coube num táxi e que agora já justifica um mini bus, este partido a que a democracia portuguesa nada deve, do qual não saiu nunca uma ideia, uma solução para qualquer problema de fundo, vem agora dizer do alto de um poleiro de vie primeiro-ministro obtido de forma pouco límpida que: “A economia portuguesa bateu no fundo, já saiu do fundo e não voltará lá.” Talvez saia da fossa abissal usando um submarino.

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