Manuel de Sousa pede a André Vaz, o piloto, que mais se aproxime de terra. Ele atende e assim começa a nossa perdição. Somos apanhados por ventos que, num dia, sopram de poente, e noutro sopram de levante. O capitão chama o mestre e o piloto e pergunta-lhes o que se deve fazer com aquele tempo e eles respondem que será bom conselho arribar. Mas têm de adiar o plano porque mais furiosa se torna a tempestade e uma vaga parte ao meio o leme podre e leva uma das metades e súbitas rajadas rasgam e levam as velas e outras não há de reserva. Aflição e, no meio da tormenta, sob o comando de Manuel de Sousa, é repartida a gente para cada uma das tarefas; da madeira que há a bordo, tentamos fazer um novo leme; de alguma roupa que trazemos de mercadorias, tentamos fazer algum remendo de velas com que possamos arribar a Moçambique. Mas, para não irmos a fundo a pique, largamos tudo e corremos a cortar o mastro da proa que nos está abrindo a nau. Diz o Pedro “Má Fortuna”: – Todos, mas todos, até fidalgos, metemos ombros ao trabalho sem entre nós haver distinção. Foi passo bonito, lembras-te? Contradiz o Paulo “Tiro e Queda”: – No artigo da morte Deus não faz distinção entre nobreza e plebe. Por que haveriam os homens de fazê-la?