MORREU ANTÓNIO RAMOS ROSA

António Ramos Rosa, poeta e ensaísta do primeiro plano das nossas letras, morreu hoje, cerca das 13h30, devido a  uma infecção respiratória. Lega-nos uma obra com quase uma centena de títulos – desde 1958, com a colectânea O Grito Claro até ao seu derradeiro livro – Em Torno do Imponderável, saído a público em 2012. Foi-lhe outorgado o Prémio Pessoa em 1988. Porém, ao longo da sua carreira de escritor e de tradutor, recebeu muitos dos mais prestigiados prémios literários portugueses e vários prémios internacionais. António Ramos Rosa era natural de Faro onde naasceu há 88 anos. Dedicar-lhe-emos nos próximos dias um trabalho sobre a sua obra. Aos familiares do escritor  apresentamos os nossos sentidos pêsames.

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  1. No repouso do princípio

    Adormeço sem visão quando a sombra se condensa
    e tudo se suspende sem rosto e sem figura.
    O eterno é esta lentidão, esta ascensão sem armas.
    Os meus olhos estão vazios, os meus lábios tranquilos.
    Na mágica anulação o desejo é só silêncio.
    Ondulam dentro do cérebro harmoniosos cabelos
    como uma cascata imóvel.
    As formas não se distinguem. É o princípio
    sem paixão, sem memória, sem os rumores do sangue.
    Dir-se-ia que se dorme, mas a alta adolescência
    destas tranquilas águas é como um barco aceso
    pela nupcial ternura. Toda a ciência se transcende
    na igualdade que vive a diagonal do ser.

    António Ramos Rosa

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