por Rui Oliveira
O evento dominante desta Terça-feira, 24 de Setembro (que se repete a 25) será seguramente “Cantatas”, um espectáculo concebido, dirigido e coreografado por Raimund Hoghe (foto) que se integra nas Festas de Abertura do São Luiz Teatro Municipal, onde decorrerá às 21h na sua Sala Principal, em estreia nacional.
Diz o SLTM, «Raimund Hoghe é um dos nomes mais afirmativos e singulares da dança contemporânea europeia. Dramaturgo de Pina Bausch ao longo dos decisivos anos oitenta, o coreógrafo rodeia-se de sete bailarinos e da soprano Kerstin Pohle e investe sobre o universo de Bach para construir Cantatas, uma peça enigmática, ritualista como a obra do seu autor,
dança para além das ideias normativas do corpo. A música assume um papel central na obra de Raimund Hoghe, abre-lhe as portas da história. Importa-lhe sobretudo o seu poder unificador, as memórias que convoca, a sua natureza inesquecível e a sua beleza. Neste espectáculo, são essencialmente as cantatas de Bach a transformar-se em gesto, a propor uma coreografia única para corpos e voz».
Sempre com a habitual colaboração artística de Luca Giacomo Schulte, num cenário do próprio Raimund Hoghe, serão intérpretes Marion Ballester, Finola Cronin, Adrien Dantou, Emmanuel Eggermont, Raimund Hoghe, Yutaka Takei, Luca Giacomo Schulte, Takashi Ueno e sobretudo Kerstin Pohle (soprano).
Não há ainda registo deste espectáculo estreado no Kaaitheater de Bruxelas em Janeiro passado, pelo que lhe mostramos, como informação coreográfica, o bailado “L’après-midi” aqui sobre a música de Debussy onde Raimund Hogue intervem :
Lembramos que o Festival Materiais Diversos, que colabora com o São Luiz Teatro Municipal, a Culturgest e o Goethe Institut no assinalar dos vinte anos de actividade coreográfica de Raimund Hoghe, disponibiliza um autocarro gratuito nos dias de espectáculo, que levará os públicos de Lisboa a Torres Novas e vice-versa para que todos possam participar integralmente nestas propostas. Neste autocarro performativo, o clássico guia turístico será substituído pelo performer António Onio, «que transformará a viagem numa divertida paródia sobre a paisagem, o festival, os espectáculos e a cena artística actual».
Ainda nas artes cénicas, e integrado no Programa Paris-Lisboa que celebra os 15 anos sobre a assinatura do Pacto de Amizade entre as duas cidades, a Companhia Nacional de Bailado apresenta no Teatro Camões, às 21h desta Terça-feira 24 de Setembro,“Raoul” (Novo Circo), uma criação e interpretação de James Thiérrée, numa produção de La Compagnie du Hanneton (Junebug) sob a direcção de Emmanuelle Taccard.
Repete na Quarta-feira, 25, à mesma hora.
Como sinopse, diz a CNB :
«Em “Raoul” descobre-se um reino estranho, um reino de limites fugazes. Aí, encontrar-se-ão estranhos, talvez malvados e certamente encantados, animais.
Sozinho em palco, James Thiérrée usa apenas a sua imagem, o seu duplo, o seu fantasma, o seu personagem. Sem palavras, apenas com sons, com a música gritada de uma velha grafonola e o bater do seu coração. Thiérrée não se mexe, dança; não anda, levanta voo. Voa sobre o público na escuridão feérica do Teatro».
Eis um excerto da sua primeira apresentação no Théâtre Royal de Namur (Bélgica) em 2009 :
Já no exclusivamente campo musical, há nesta Terça-feira, 24 de Setembro, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz (na Praça dos Restauradores), às 18h, novo Recital de Canto e Piano de entrada livre, onde a jovem soprano Ana Madalena Moreira (foto junto),
acompanhada ao piano pela ucraniana Nataliya Kuznyetsova, cantará um programa que inclui de :
Natalya Kuznyetsova Em nome de Amor
Franz Schubert Heimliches Lieben
Georges Bizet Adieux de l’hôtesse arabe
Gabriel Fauré Clair de Lune
Henri Duparc Chanson triste
Natalya Kuznyetsova A Rainha
José Vianna da Motta 1. A estrela, 2. Olhos negros, 3. Canção perdida
Richard Strauss Wiegenlied
Francisco António de Almeida La Spinalba – “Com quante lusinge”
Gioachino Rossini Maometto II – “Giusto Ciel in tal periglio”
Natalya Kuznyetsova Declaração de Amor
Charles Gounod Romeo et Juliette – “Ah! Je veux vivre”
Giacomo Puccini La Bohème – “Quando me’ vo”
Guiseppe Verdi La Forza del Destino – “Pace, pace mio Dio”
A soprano portuguesa Ana Madalena Moreira, entre a sua múltipla actividade canora nacional e mesmo internacional no campo operático, gravou um CD patrocinado pelo Ministério da Cultura, onde interpreta música dos compositores portugueses Croner de Vasconcellos, Ivo Cruz e Vianna da Motta do qual retirámos o registo de uma das canções do programa (ver abaixo).
Quanto à pianista ucraniana, depois duma actividade pedagógica no Funchal, veio para Lisboa onde é professora e colabora com diversos grupos corais, tendo sido salientada a sua participação no concerto de homenagem aos 55 anos de carreira do maestro António Victorino d’Almeida, acompanhando a soprano Ana Madalena Moreira e o tenor Pedro de Vasconcelos, no Forum Seixal emMaio de 2010 (de que pode ouvir-se aqui um trecho).
Ainda no campo da música, uma das iniciativas do Festival Rota das Artes deste ano, na sua programação um pouco sui generis de 2013,
é o convite que é feito aos melómanos nesta Terça-feira, 24 de Fevereiro para que procurem um dos restaurantes da zona do Príncipe Real (que terão para o efeito menus especiais) e aí jantem (!), prometendo-se-lhes em seguida, às 22h, mediante a aquisição de bilhete, um concerto de Música de Câmara no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, no Real Picadeiro do Colégio dos Nobres (vulgo a Politécnica), às 22h, onde um quinteto de cordas acompanhando a flautista Julia Gallego (foto) irá interpretar o Quinteto de cordas e flauta de Wolfgang Amadeus Mozart.
Podemos mostrar-lhe aqui como a jovem flautista espanhola executa a mesma peça sob a forma de Concerto em Ré Maior KV 285 com a Orquestra de Vigo dirigida por Alejandro Garrido :
Por último, mudando radicalmente de agulha para amantes do rock, assinale-se a vinda ao palco da Galeria Zé dos Bois (ZBD), às 22h desta Terça-feira, 24 de Setembro, duma lenda do rock psicadélico, os Moon Duo, constituido em 2009 pelo guitarrista/vocalista dos Wooden Shjips Ripley Johnson e pela tecladista (?) Sanae Yamada.
Afirma a ZDB que «… Os Moon Duo … apontam ao minimalismo dos Velvets e dos Spacemen 3, sopram o fumo tóxico dos Suicide e expandem o garage rock de Back from the Grave. Inspiram-se claramente numa idade clássica da pop/rock, mas fazem-no contaminados por uma dinâmica, uma “jouissance” cada vez mais raras. Agitam, animam as canções antes que estas tomem a forma de loops escolares.
Não hesitam, quando necessario, em recuar aos primórdios do rock and roll ou abraçar as revisões britânicas dos finais dos anos 1980 (Jesus Mary Chain, Walkings Seeds) … ».
Consideram que o seu excelente “Circles”, editado em 2012, «é um disco entranhado de ritmos, melodia, refrões. É música pop com arestas, formas, peso…»
Damos-lhe abaixo o acesso a esse CD (para os ver tocar pode ouvir-se aqui a entrevista que deram à conhecida rádio KEXP de São Francisco) :






