
Uma montagem a partir de vários textos de Bloomberg e não só.
Bloomberg | Bruce Einhom e Kartik Goyal | 27 Agosto 2013 (um extracto)
Fotografia de Aijaz Rahi/AP Images
A queda da rupia da Índia desde o início do último trimestre: 13,7 por cento
Isto é macroeconomia de base: quando a moeda de um país baixa de valor externo os seus exportadores deverão a seguir ver aumentar as suas exportações uma vez que a descida de valor da sua moeda faz com que seus produtos fiquem mais competitivos. Por esta regra, a Índia deve estar a desfrutar de um boom nas suas exportações. Desde o início de Maio, a moeda caiu de 23%, tornando-o um dos piores resultados a nível mundial. É, porém, certo e seguro que as exportações subiram em Julho, em cerca de 11,6% no ano, o melhor aumento decorrido nestes 12 meses.
Contudo, os consumidores à escala mundial não esperariam ver um aumento dos produtos Made-in-India nos próximos meses. O aumento verificado em Julho surge depois de um período de fraqueza: as exportações da Índia caíram 1,8 por cento no ano fiscal 2012-13. E enquanto a moeda tem vindo a perder valor face às outras principais moedas desde há dois anos, a queda da rupia não ajudou o difícil défice da balança da Índia. Em vez disso, o défice comercial começou a tornar-se maior, atingindo nove por cento do produto interno bruto no primeiro trimestre. “A depreciação sustentada e grande da [rupia] desde meados de 2011 não parece ter tido qualquer impacto de curto prazo sobre o défice na balança corrente”, afirma o economista Tushar Poddar a trabalhar em Mumbai para a Goldman Sachs num relatório publicado em 26 de Agosto. As possibilidades de uma recuperação de curto prazo impulsionado pela descida do valor da sua moeda é “duvidoso”, acrescentou.
Uma das causas responsáveis por esta evolução é o aumento dos preços dentro da Índia, com o índice de preços ao consumidor a aumentar 9,6 por cento em Julho. A alta inflação da Índia enfraquece os ganhos de competitividade resultantes da depreciação, diz Indranil Pan, economista-chefe do Kotak Mahindra Bank, em Mumbai. “As exportações não são susceptíveis de obter qualquer aumento significativo”, diz ele. “Qualquer benefício [da rupia fraca] será neutralizado pelo facto de que há o problema de uma enorme inflação na Índia, e o custo de produção é muito alto para as empresas locais.” O aumento dos custos de matérias-primas estão a fazer com que os negócios se tornem desafiadores para Rajesh Mehta , presidente da Rajesh Exports, produtora com sede em Bangalore de ouro e de jóias com diamantes. “Não há nenhuma grande vantagem para os exportadores”, diz ele. ” Uma moeda mais forte e mais estável é sempre melhor para os negócios.
