Pentacórdio a partir de Quinta-feira 26 de Setembro

por Rui Oliveira

 

 

 

PJM_2

   A relevância relativa dos acontecimentos desta Quinta-feira, 26 de Setembro leva-nos a destacar como evento público com maior interesse atractivo (e para mais de acesso livre) o início do Festival Prémio Jovens Músicos 2013 cuja 27ª edição é este ano acolhida nos diversos Auditórios do Centro Cultural de Belém de 26 a 28 deste mês.

   Salientam-se o Concerto dos Laureados, o Concerto do Jovem Músico do Ano e ainda a participação central da Orquestra Gulbenkian, bem como de outros agrupamentos como o  L.U.M.E – Lisbon Underground Music Ensemble, a Camarata Alma Mater, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, o Ensemble MPMP, o Quarteto de Cordas de Matosinhos, além de Ricardo Gaspar violetista e Nuno Silva clarinete.

   O programa integral pode ser consultado aqui .

   Promovido anualmente pela RTP através da Antena 2 comheader_1 - Copy o objectivo de descobrir novos talentos e promover os jovens intérpretes nacionais (ou residentes em Portugal) na área da música erudita, o Prémio Jovens Músicos tem este ano as categorias de :

   a) Solistas nível médio – flauta e violoncelo e nível superior – oboé, trombone, percussão e contrabaixo

   b) Música de Câmara – níveis médio e superior

   c) Combo Jazz – nível superior

   Sempre com transmissão directa pela Antena 2, haverá no Grande Auditório do CCB, às 19h desta Quinta-feira 26, o Concerto dos Solistas Laureados onde, acompanhados pela Orquestra Gulbenkian dirigida pelo maestro Rui Pinheiro (foto), se irão ouvir :

 RUI PINHEIRO (maestro)– Beatriz da Silva Baião tocando o Concerto para Flauta e Orquestra de André Jolivet

 – André Gunko tocando o Concerto para Violoncelo e Orquestra op. 85 de Edward Elgar

 – André Dias tocando o Concerto para Marimba e Orquestra de Peter Klatzow

 – Ricardo André Gomes tocando o Concerto para Trombone e Orquestra de Launy Grondahl

 – Guilherme Filipe Costa e Sousa tocando o Concerto para Oboé e Orquestra de Bohuslav Martinu

   Por fim ouvir-se-á a Sinfonia nº 1 em Ré Maior op.25 de Sergei  Prokofiev.

   Não havendo gravação pela OG desta primeira Sinfonia do compositor russo, estreada em 1919, mostramos-lhe como Claudio Abaddo a gravou com a London Symphony Orchestra em 1971 :

 

 

camerata alma mater

   Mais tarde, às 21h30, agora no Pequeno Auditório do CCB, é a vez da Camerata Alma Mater sob a direcção de Pedro Neves interpretar de :

      Heinrich Biber   Battalia em Ré Maior, C. 61

      Jean-Ferry Rebel   Le Cahos

      Dimitri Schostakovich  Quarteto nº 8 – versão para orquestra de cordas

   Quem queira ouvir como toca a Camerata Alma Mater tem aqui um excerto dum Adagio da Suite Orquestral nº 3 de J.S.Bach. Ao leitor damos a ouvir o excelente (e menos conhecido) tema de Biber Battalia de 1673 interpretado pelo conjunto barroco Le Concert des Nations dirigido por Jordi Savall :

 

 

    Outras manifestações musicais do dia com algum interesse serão :

 

pedro e o lobo

rota   No programa original (como já referimos) do festival Rota das Artes deste ano, que centra as suas actividades no espaço do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, o sarau desta Quinta-feira, 26 de Setembro, às 21h30, é dedicado a Sergei Sergeyevich Prokofiev (o que se repete no Sábado 28, às 15h).

  JillLawson_opus49 É feito um convite particular para um clássico do mundo da música “Pedro e o Lobo” e um vídeo com um teatro gigante de sombras chinesas oferecerá uma leitura particularmente sugestiva desta narrativa musical.

   Para tal foi solicitada a colaboração de Jennifer Smith para a narração e de Jill Lawson (foto) para o acompanhamento pianístico, além do apoio do “Atelier Musical”.

   Neste dia 26, na primeira parte, o espectáculo apresenta ainda “Abertura sobre temas Judeus” também de Prokofiev, escrita para orquestra da câmara.

   Por ser esta uma partitura claramente menos divulgada, mostramos-lhe uma sua interpretação por uma jovem orquestra de câmara selhante à que actuará neste concerto :

 

 

               HOT CLUB logo novo    hot_clubeezi

   Não queremos deixar de assinalar a reabertura da actividade jazzística do Hot Clube de Portugal (Praça da Alegria, nº 48) com a habitual sessão da sua Orquestra (dirigida por Luis Cunha) na última Quarta-feira do mês e que, nesta Quinta-feira, 26 de Setembro, às 22h30, (com repetição na Sexta 27 e no Sábado 28) traz ao seu palco o quarteto “Young Lions” do saxofonista Ricardo Toscano.

   Trata-se dum quarteto constituído por alguns dos mais promissores jovens talentos do jazz português, músicos de uma nova geração, que exploram a  evolução da linguagem “tradicional” do jazz. Compõem-no Ricardo Toscano (saxofone alto), João Pedro Coelho (piano), Romeu Tristão (contrabaixo) e João Pereira (bateria) que irão (diz o Hot) interpretar “standards” do jazz moderno (Wayne Shorter, Herbie  Hancock, Miles Davis,…), temas do repertório “hard-bop”, bem como alguns  originais.

   Para ter um vislumbre das potencialidades do “coordenador” dos Young Lions, ouça-se a deficiente gravação da performance de Ricardo Toscano no Cascais Jazz Festival de 2011 :

 

 

AF_POSTER_A_70X100cm_1   Nesta euforia de festivais que tem “inundado” Lisboa, o Cinema City Alvalade, em Lisboa, recebe de 26 a 29 de Setembro a primeira edição do “Arquitecturas Film Festival Lisboa”, um evento que pretende celebrar o encontro entre o cinema e a arquitectura e “fomentar as relações criativas e económicas entre o cinema e a arquitectura”, nas palavras de Sofia Mourato, autora e directora do Arquitecturas. 

   Urbanismo, ecologia, sociedade, design, história, utopia e tecnologia são alguns dos temas abordados pelos 110 filmes em exibição e que incluem documentários, ficção, filmes experimentais e de animação, tendo no total concorrido 197 filmes de 28 países, que incluem Brasil, França, Espanha, Estados Unidos, China, Turquia, Eslovénia, Austrália, Dinamarca e Holanda, entre muitos outros.

   O programa circunstanciado pode ser consultado aqui.

   Na abertura do festival, estará presente o realizador italiano Alessio Bozzer, com o documentário “Porquê um filme sobre Michele De Lucchi” (de que abaixo lhe mostramos o trailer), entre outras personalidade de arquitectura e do audiovisual, que discutirão o filme com o público, como o farão durante o restante festival vários realizadores nacionais e estrangeiros presentes.

 

 

 

11610280-STANDARD   Por último noticia-se uma iniciativa (porventura polémica nos tempos que correm) de entrada livre que decorre desde esta Quarta-feira 25 até Sexta-feira 27 de Setembro sucessivamente nas sedes das organizações que a promovem, a saber,  o Goethe-Institut, o Institut Français du Portugal, o Instituto Português de Relações Internacionais e a Fundação Calouste Gulbenkian.

   Trata-se do colóquio internacional “Amizade e Política na Europa” que evoca o Tratado do Eliseu, celebrado entre a França e a Alemanha há precisamente 50 anos, com o qual os dois países se comprometiam com a reconciliação e a paz.

   Diz a organização que «… Esse tratado político, no seu pragmatismo e enquanto resposta a um passado traumático, encontra um sentido essencial no tema da philia, que está na base do que caracteriza a Europa enquanto continente onde teve origem a filosofia e a racionalidade que15757481_npNil lhe corresponde, permitindo o florescimento científico. Daí que o colóquio abra com um painel dedicado ao tema fundador da amizade, para além das contingências históricas do Tratado do Eliseu».

   Moderado  por António Guerreiro, a “ideia filosófica da Europa” será debatida por Fausto Fraisopi (Itália) e Jean-Marc Ferry (França).

    Porque se realiza em Portugal, o colóquio não poderia (nem poderá) deixar de debater algumas questões que, na perspectiva portuguesa, o tema suscita … e caberá ao público intervir adequadamente (!).  Desde logo, as relações com a Espanha, com o qual há uma longa história de “afinidades” electivas de tipo diferente das que historicamente se estabeleceram entre a Alemanha e a França. E porque o colóquio não é apenas evocativo e de celebração do passado, fechará com um debate que se projecta no futuro da Europa e nas hipóteses que a “amizade política” traz para Portugal.

   O texto filosófico de abertura de António Guerreiro e o pormenor das diferentes sessões pode ser lido aqui .

 

Leave a Reply