Seleção de Francisco Tavares
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Duas antas e vila romana destruídas para plantação de nogueiras em Évora
Em 10 de Junho de 2026 (original aqui)
INDIGNAÇÃO. É este o Portugal que queremos, um país cujo Património está consagrado na sua Constituição de 1976 como Bem Identitário precioso e inalienável sem que esse valor seja devidamente assegurado ? A destruição deliberada de dois dólmens e de uma ‘villa’ romana que existiam na Herdade das Atafonas, freguesia de Torre de Coelheiros (Concelho de Évora), é um crime abominável, que precisa de ser bem investigado com punição exemplar dos culpados.
O plantio de nogueiras justificou o atentado perpetrado por alguém que ainda tem o desplante de dizer que cumpriu todos os requisitos legais ! Onde desceram nestes tempos de barbárie a cobiça pelo lucro fácil, aliada à febre predadora e à ignorância mais pura !
Que dizer ? Sim à abertura imediata de um processo de inquérito junto do Ministério Público: ainda existe uma Lei-Quadro do Património, além de resquícios de bom-senso, tal como os sentimentos de pertença que um país riquíssimo de História, como somos, provoca nas comunidades. Pergunto: acaso a Herdade das Atafonas ficou mais rica com a mutilação do seu património arqueológico ? Em tempo em que muitos querem liberalizar leis e mudar a Constituição, porque não, ao invés, actualizar multas e reforçar penas contra os iconoclastas de todo o tipo e os que cometem crimes lesa-património ?
.Maior vigilância se exige da Câmara Municipal de Évora e da Unidade de Cultura da CCDR/Alentejo para que atentados como estes não se repitam. A Évora-Capital Europeia da Cultura-27 devia ser a primeira a dar o exemplo. É assim que o faz, tolerando que explorações agrícolas sem freios e o plantio descontrolado não preservem nem respeitem, ao menos, as existências arqueológicas, históricas e artísticas ?
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Vítor Serrão [1952 – ] é Historiador de Arte e Professor Catedrático Emérito (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa).



