Letra: Carlos Miguel de Araújo Música: António dos Santos Intérprete: António dos Santos* (in EP “Nostalgia de Alfama”, Columbia/VC, 1965; LP “Minha Alma de Amor Sedenta”, Columbia/VC, 1972, reed. Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007)
Disseste-me adeus um dia,
Fiz tudo para o esquecer;
Na tua a minha mão fria
Sentiu-se triste morrer.
Na vida não vale a pena
Sentir saudades de alguém;
Tudo morre e tudo esquece,
Morre a saudade também.
Morre a saudade também
No coração onde mora;
Saudades quem as não tem
Quando uma guitarra chora.
Quando uma guitarra chora
Fala pela boca da gente;
Saudades quem as não tem,
Saudades quem as não sente.
* António Pessoa – viola Técnico de som – Hugo Ribeiro Remasterizado por Luís Delgado, nos Estúdios Tcha Tcha Tcha, Miraflores
Uma Chuva de Tristeza
Letra: Mendes de Carvalho Música: António dos Santos Intérprete: António dos Santos* (in EP “Alfama-Lisboa”, Columbia/VC, 1964; LP “Minha Alma de Amor Sedenta”, Columbia/VC, 1972, reed. Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007)
Uma chuva de tristeza
Caiu no meu coração;
E o mar ficou-me deserto
Morrendo numa canção.
Bebo p’ra não me lembrar,
Para de ti me esquecer;
Mas tu és a minha fonte
E eu só nela sei beber!
Porque me deixaste, amor,
Se outra mulher não existe?
Tu ficaste em mim gravada
E a saudade persiste!
Vem depressa! Volta, amor!
Eu vou morrendo em saudade;
Não posso ficar sem ti,
Tu és a minha verdade!
* António Pessoa – viola Técnico de som – Hugo Ribeiro Remasterizado por Luís Delgado, nos Estúdios Tcha Tcha Tcha, Miraflores
Novamente Primavera
Letra: Alexandre Fontes Música: António dos Santos Intérprete: António dos Santos* (in LP “É Assim a Minha Alfama”, Roda/Vadeca, 1977)
Meu amor, a primavera
Acabou e tenho pena;
Nosso sonho foi quimera
Na paisagem amena.
Tanta folha pelo chão
Pisada a todo o momento;
E a nossa velha afeição
Transformou-se num tormento.
Primavera, primavera
Com andorinhas voando…
Quem me dera, quem me dera
Ver o meu amor voltando!
Na minha vida vazia
Meu coração vive à espera
Que o nosso amor seja um dia
Novamente primavera!
* Conjunto de Jorge Fontes Produção – Carlos Cunha Técnico de som – Fernando Santos
De Mãos Amarradas
Letra: Alexandre Fontes Música: António dos Santos Intérprete: António dos Santos* (in LP “É Assim a Minha Alfama”, Roda/Vadeca, 1977)
Eu passo o tempo a pensar
Por que é que à noite o luar
Traz minha voz magoada;
Folha levada pelo vento,
Caída no esquecimento,
Pela rua abandonada.
Trago mágoas no meu peito
E no meu sonho desfeito
Vejo-te sempre distante;
Sonho de amor indeciso,
Criança sem ter sorriso,
Beijo falso duma amante.
Madrugada sem ter sono
Lembrando o teu abandono
Não consigo adormecer;
Andam no céu trovoadas
E eu de mãos amarradas
Inda espero por te ver.
Andam no céu trovoadas
E eu de mãos amarradas
Inda espero por te ver.
* Conjunto de Jorge Fontes Produção – Carlos Cunha Técnico de som – Fernando Santos
Ilusão Perdida
Letra e música: António dos Santos Intérprete: António dos Santos* (in EP “Nostalgia de Alfama”, Columbia/VC, 1965; LP “Minha Alma de Amor Sedenta”, Columbia/VC, 1972, reed. Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007)
Amei uma vez na vida,
Mas não pude ser amado
Por uma formosa cigana;
Era de raça diferente,
Diferente a sua cor
E tinha uma lei tirana.
Disse-me um dia, a chorar,
Essa linda ciganita:
“Perdoa-me, meu amor!
Jamais poderei ser tua
Porque só posso casar
Com alguém da minha cor!”
A soluçar, concordei,
Enchi-lhe a boca de beijos,
Foi a nossa despedida;
E com a raiva nos olhos
Vi partir a caravana
Que levava a minha vida.
Não mais a tornei a ver,
Não sei se vive, se é morta,
Se anda pelo mundo fora;
Se lá longe, muito longe,
Me tenta agora esquecer
Como eu a recordo agora.
Nunca mais amei no mundo
A ninguém um só momento;
Já pouco me importa a vida:
Sou monge, um vagabundo
Encerrado no convento
Da minha ilusão perdida.
* António Pessoa – viola Técnico de som – Hugo Ribeiro Remasterizado por Luís Delgado, nos Estúdios Tcha Tcha Tcha, Miraflores
Partir é Morrer Um Pouco
Letra: Augusto Mascarenhas Barreto Música: António dos Santos Intérprete: António dos Santos* (in EP “Fado É Canto Peregrino”, Columbia/VC, 1968; LP “Minha Alma de Amor Sedenta”, Columbia/VC, 1972, reed. Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007)
Adeus, parceiros das farras,
Dos copos e das noitadas;
Adeus, sombras da cidade;
Adeus, langor das guitarras,
Canto de esperanças frustradas
Alvorada de saudade.
Meu coração, como louco,
Quer desgarrar-me do peito
Transforma em soluço a voz;
Partir é morrer um pouco:
A alma de certo jeito
A expirar dentro de nós.
Voam mágoas em pedaços
Como aves que se não cansam,
Ilusões esparsas no ar;
Partir é estender os braços
Aos sonhos que não se alcançam
Cujo destino é ficar.
Deixo a minh’alma no cais;
De longe, canso sinais
Feitos de pranto a correr;
Quem morre não sofre mais,
Mas quem parte é dor demais:
É bem pior que morrer.
Quem morre não sofre mais,
Mas quem parte é dor demais:
É bem pior que morrer.
* António Pessoa – viola Liberto Conde – viola baixo Técnico de som – Hugo Ribeiro Remasterizado por Luís Delgado, nos Estúdios Tcha Tcha Tcha, Miraflores