Pentacórdio a partir de Sexta 27 de Setembro

por Rui Oliveira

 

 

 

   Nesta Sexta-feira, 27 de Setembro dois eventos disputam a primazia quanto a qualidade e originalidade.

 

What the Body Does Not Remember 2

   No Maria Matos Teatro Municipal, um dos coreógrafos mais influentes actualmente, o belga Wim Vandekeybus (foto) regressa, passados 25 anos, a Lisboa com a peça “What the Body Does Not Remember”, segundo o MMTM «uma das mais influentes criações da dança contemporânea de sempre».

Wim Vandekeybus What the Body Does Not Remember   Será nesta Sexta 27 e no Sábado 28 de Setembro, na sua Sala Principal às 21h30.

   Com a direcção, coreografia e cenografia (e mesmo a participação) de Wim Vandekeybus, ao som da música original de Thierry De Mey e Peter Vermeersch, vão ser intérpretes Ricardo Ambrozio, Damien Chapelle, Tanja Marín Friðjónsdóttir, Zebastián Méndez Marín, Aymara Parola, Maria Kolegova, Livia Balazova, Eddie Oroyan e Pavel Masek.wim-vandekeybus

   Historiando a sua criação, corria o ano de 1987 quando Wim Vandekeybus surpreendia o mundo da dança estreando com a sua companhia “Ultima Vez” o espectáculo What the Body Does Not Remember que levou, no ano seguinte, o coreógrafo e os compositores musicais a receber, em Nova Iorque, os prestigiados prémios de dança e performance “Bessie”. É esse marco coreográfico contemporâneo que, um quarto de século depois e com um novo elenco, inicia agora uma nova digressão mundial e passa por Lisboa.

   A coreografia de Vandekeybus desenrola-se num frágil equilíbrio entre a atracção e a repulsa, o que por vezes resulta num confronto entre dois bailarinos, depois entre dois grupos, entre os bailarinos e a música, e sempre numa explosão de agressão, medo e perigo.Ultima_Vez_WHAT_THE_BODY_DOES_NOT_REMEMBER_3_Credit_WTB__Danny_Willems-800x534

   Sobre o espectáculo, são palavras elucidativas de Wim Vandekeybus : “A intensidade dos momentos em que não se tem escolha … é importante para mim pelo seu extremismo mais do que pelos significados que lhe possamos atribuir. A decisão de usar isto como base para uma composição teatral é um desafio paradoxal, se considerarmos que um acontecimento teatral deve ser repetível e controlável. Talvez depois de tudo dito e feito, o corpo também não se lembre e tudo não passe de uma subtil ilusão de carência que ajuda a definir ou a esgotar o jogo.

   Este vídeo mostra aspectos dessa nova versão quando apresentada em Abril último no Theater aan de Parade de Hertogenbosch (Holanda) :

 

 

pas de deux

   Também nesta Sexta-feira, 27 e no Sábado, 28 de Setembro, o Grande Auditório da Culturgest apresenta, às 21h30, “Pas de Deux” de Raimund Hoghe, o que se insere na colaboração entre o Festival Materiais Diversos e o São Luiz Teatro Municipal, a Culturgest e o Goethe Institut no assinalar dos vinte anos de actividade coreográfica daquele criador e bailarino alemão nascido em Wuppertal há 64 anos.Pas de Deux, part of the Crossing the Line festival, with Raimund Hoghe, left, and Takashi Ueno at the Baryshnikov Arts Center

   Com conceito, coreografia, cenografia e luz de Raimund Hoghe, com a  colaboração artística de Luca Giacomo Schulte, os personagens são apenas Raimund Hoghe e Takashi Ueno (foto junto).

   «O pas de deux é uma das estruturas básicas do ballet em que um par de solistas – homem e mulher – oferece aos espectadores toda a extensão do seu virtuosismo.» – elucida o folheto de sala – «O coreógrafo alemão aborda o pas de deux de outra maneira: para ele trata-se literalmente de um passo, um passo para dois. Em “Pas de Deux”, Raimund Hoghe, europeu e mais velho e Takashi Ueno, japonês e jovem, estabelecem um diálogo sobre as suas semelhanças e as suas diferenças que podemos ver como uma pesquisa sobre a estrutura de uma relação (dançada) entre duas pessoas. Raimund HogheComo nos muitos pas de deux que comediantes como Stan Laurel e Oliver Hardy (os conhecidos Bucha e Estica) desenvolvem nos seus filmes e que são determinados pelo potencial e pelas inabilidades de cada um dos parceiros, Hoghe e Ueno exploram quem são e onde a sua interacção pode levar. Umas vezes espelham-se um no outro, outras formam um contraste. O duplo e a diferença, a simetria e o contraste, a semelhança e a singularidade, são as fases por que passam nesta jornada comum».

   Não há ainda qualquer registo divulgado desta nova criação. Remetemos o leitor para outro pas de deux de 2010, a ver aqui .

 

 

             SONY DSCPJM 2013

   Fora estas, outras duas actividades musicais marcam presença, com públicos necessariamente distintos, sem falar, claro, da prossecução, sempre com entrada livre, no Centro Cultural de Belém, dos diversos recitais atinentes ao Festival Prémio Jovens Músicos 2013. E aí há previsíveis prestações interessantes, de que recordaremos sequencialmente três :

   1. No Pequeno Auditório, às 16h, o Ensemble MPMP (do Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa) dirigido por Jan Wierzba executa “Latitudes II – Música em Pessoa”, um  concerto comemorativo do 125º aniversário do poeta, onde se incluem obras dos compositores portugueses Tiago Derriça, Daniel Moreira, Pedro F. Gomes, António Pinho Vargas, Rui Paulo Teixeira e Rui Penha.

   Ouça-se aqui, por curiosidade, um ensaio do Ensemble MPMP na preparação de “Latitudes I” em Abril último :

   2. No mesmo Pequeno Auditório, às 19h, o “StravinsTrio” (vencedor em Música de Câmara – nível médio) tocará a A História do Soldado (Igor Stravinsky) e o “Trio do Desassossego” (vencedor em Música de Câmara – nível superior)

fará soar o “Trio nº 1 em Ré menor, op. 49” (Felix  Mendelssohn). Em seguida o Quarteto de Cordas de Matosinhos executará o “Quarteto em Fá Maior” (Maurice Ravel).

   3. No Grande Auditório, às 21h, a Orquestra Metropolitana de Lisboa (dir. Cesário Costa), com os solistas ex-laureados Ricardo Gaspar viola e Nuno Silva clarinete, interpreta o Rhapsody Concerto de Bohuslav Martinu, a Sinfonieta de Francisco Chaves e o Concerto de Clarinete de Aaron Copland.

 

 

   Um dos recitais a ouvir tem o apoio da Embaixada da República da Hungria e realiza-se na Sala dos Espelhos do Palácio Foz (Praça dos Restauradores), às 19h desta Sexta-feira, 27 de Setembro com a habitual entrada livre.sala espelhos Pal.Foz

   Perfazem esse Recital de Violino, Violoncelo e Piano as instrumentistas húngaras Klara Erdei, violino (membro do Quarteto Arcus/Atalaya e solista da Orquestra Sinfónica Portuguesa) e Mariann Abraham, piano (artista-professora do Conservatório Béla Bartók de Budapeste, multi-premiada pela sua actividade de divulgação e gravação, em especial de autores húngaros) e ainda Miguel Rocha, violoncelo (membro do Duo Contracello, do Trio Athena e do Ensemble Avondano, com quem gravou diversos CDs).

   No programa do concerto figuram de :

         Béla Bartók  Danças romenas

         Ludwig van Beethoven  Sonata em Fá Maior, op. 24 “Primavera”

         Franz Liszt  Widmung

         Franz Schubert  Trio em Mi bemol Maior op. 100

   Por ser esta uma soirée húngara, trazemos-lhe a peça de Bartók por outras executantes, Ambra e Fiona Albek (“Albek Duo”), que a registaram em Março de 2012 no Teatro Sociale de Bellinzona (Suiça).

 

 

   O outro, às 22h30 desta Sexta-feira, 27 de Setembro, assinala o regresso do trompetista Laurent Filipe ao Ondajazz para de novo abordar os temas do seu CD de sucesso em 2006 “Ode to Chet”, o que se repetirá no Sábado 28.laurent filipe

   Disco que, segundo o compositor, resulta de um tributo prestado já ao longo de 20 anos, ele dará a ouvir a sua interpretação não só de temas ultra-conhecidos do grande público, tais “My Funny Valentine” ou “Let’s Get Lost”, mas também de outros (“Everything Depends on You”, “You Don’t Know What Love Is” ou “The Days of Wines and Roses”) laurent filipe ode to chetque poderão ter sido gravados menos vezes no âmbito do vasto repertório de Chet Baker.

   No palco, além de Laurent Filipe (trompete e voz), estarão, do elenco original, apenas Filipe Melo (piano) e Alexandre Frazão (bateria), pois André Santos (guitarra) substitui Bruno Santos e Massimo Cavalli (contrabaixo) toma o lugar de Nelson Cascais.

   Ouçamos então um tema “universal”, “Let’s Get Lost”  (contrastável aqui com a interpretação fidedigna do trompetista americano) :

 

   Últimas chamadas (3) de atenção do dia :

 

   Começa nesta Sexta-feira, 27 de Setembro, às 19h, no espaço “Âmbito Cultural” do El Corte Inglês, a série de debates “Pensar Portugal” que a Fundação Francisco Manuel dos Santos aí promove nas últimas Sextas de cada mês.teixeira da mota

   A abrir estará o conhecido advogado Francisco Teixeira da Mota, também colunista regular do jornal Público, que recentemente editou 9789898662194naquela Fundação “A Liberdade de Expressão em Tribunal”. Será esse o tema de discussão pública com o jornalista Pedro Tadeu, a que a audiência poderá associar-se intervindo.

   «A liberdade de expressão é um direito fundamental. Mas que limites existem ao seu exercício ? Como tratam os tribunais portugueses a liberdade de expressão ? O que faz com que inúmeras queixas levadas ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (algumas das quais pelo orador) tenham levado a sentenças condenatórias do Estado Português com censura implícita às fórmulas decisórias dos juizes nacionais ?» − são alguns dos temas candentes da sessão anunciada.

 

 

Colapso_460x260

   Estreia nesta Sexta-feira, 27 de Setembro na Sala Principal do Teatro a peça “Colapso.1 ou 4 Cenas, 3 Solos e 1 Solilóquio que aí permanecerá até 6 de Outubro (de Quarta a Sábado às 21h30, Domingo às 16h).

Colapso1cartaz   Produzida por “d’As Entranhas – Associação Cultural, tem a direção artística de Ricardo Moura e cenografia de Buermans Kristof, sendo seus intérpretes Vera Paz, Maria João Pereira, Mónica Garcez, Célia Alturas, Paulo Lázaro, Ivo Bastos, Rui Sérgio e Ricardo Moura.

   Sinopse :colapso 1

   Uma tragicomédia sobre a crise (emocional, financeira, amorosa, social, criativa, de valores) e o colapso de sete personagens que ao longo do espectáculo “sofrem” colapsos resultantes dessas várias crises, numa espiral descendente recessivo-compulsiva.

   Seguindo uma linha dramatúrgica já habitual nos espectáculos do coletivo d`As Entranhas, “Colapso.1” é uma criação colectiva, com textos originais dos intérpretes que em quadros separados, mostram um pouco das histórias de cada um de nós, em formato zapping.

 

                                    untitled      gente diz almada 2

   E terminamos recordando uma efeméride que suscitou uma iniciativa literária curiosa.

   No momento em que se celebram os 120 anos do nascimento de José de Almada Negreiros, e no mesmo Jardim de Inverno (do São Luiz Teatro Municipal) onde o poeta lançou o seu “Ultimatum futurista às gerações portuguesas do século XX” irá ocorrer nesta Sexta-feira, 27 de Setembro, às 23h30 com entrada livre, a performance “Gente Diz Almada”.

   Por ideia de Rui Portulez, um conjunto singular de artistas de todas as disciplinas reúne-se para, inspirados pela obra escrita, plástica, pictórica de Almada, nas suas atitudes, na sua ousadia e irreverência, levar a cabo todas as leituras possíveis do «poeta d’Orpheu, futurista e tudo».

   Será um recital desenhado de António Jorge Gonçalves, um vídeo-recital de Graça Castanheira e Rui Portulez, um recital de piano de João Paulo Esteves da Silva e Carla Bolito, outro de Manuel Cintra e ainda música dos “Guta Naki” (Cátia Pereira, Nuno Palma e Dinis Pires) e dos “Osso Vaidoso” (Ana Deus e Alexandre Soares).

 

 

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