Pentacórdio a partir de Terça-feira, 1 de Outubro

por Rui Oliveira

 

 

 

 

   Sendo esta Terça-feira, 1 de Outubro convencionado considerar-se o Dia Mundial  (ou Internacional) da Música (desde 1975), são diversas as entidades que o decidem comemorar, sem que haja um “programa nacional” (!) para tal.

museu da música programa

   Uma delas é logicamente o Museu da Música, localizado na Estação de Metro Alto dos Moínhos que aí realiza, às 18h, com entrada livre (!), o seu 5º concerto da série com instrumentos históricos “Um Músico, Um Mecenas”.

jose-carlos-araujo   Desta vez o “Tesouro Nacional” que sairá da vitrina do Museu é o famoso pianoforte de Henrique van Casteel (Lisboa, 1763) de que existirão no mundo apenas 3 exemplares (!). O instrumento, que fará 250 anos desde a sua construção e que não é tocado há cerca de cinquenta anos, vai ser possível ouvi-lo graças a uma recente intervenção do luthier Geert Karman.cristofori-piano

   José Carlos Araújo (foto) é o músico convidado e interpretará obras de Carlos Seixas, Domenico Scarlatti e Francisco Xavier Baptista. Profundo conhecedor da génese destes instrumentos (o pianoforte terá sido inventado por Bartolomeo Cristofori em 1698 na sua oficina florentina, modificando um cravo através da introdução de martelos mais pequenos) faz num pequeno vídeo (a ver aqui ) a breve história deste pianoforte e do papel do infante D. António, irmão de D. João V, a quem foi dedicada a primeira publicação de obras para aquele instrumento.

    Como é dia de homenagem à música, deixamos-lhe duas interpretações de José Carlos Araújo, no pianoforte histórico, uma da Sonata em Mi menor, K. 37 de José António Carlos de Seixas (1704-1742) e outra da Sonata em Lá maior, K. 208 de Domenico Scarlatti (1685-1757) :

 

olbinskiExposição de Cartazes de Ópera do artista polaco Rafał Olbiński   E, não falando só de música, informa-se que após o concerto, às 19h, é inaugurada no Museu da Música uma “Exposição de Cartazes de Ópera” do artista polaco Rafał Olbiński, um pintor, ilustrador e designer reconhecido no mundo inteiro.

   As suas obras estarão expostas em conhecidas galerias de variados países, como o MoMa (Museum of Modern Art) de Nova Iorque, o Suntory Museum of Art de Tóquio e o Museu do Póster de Varsóvia.

   A entrada é livre.

 

 

 

   Outra sala onde o Dia Mundial da Música é assinalado é o Teatro Municipal São Luiz.

noiserv   Na noite desta Terça-feira, 1 de Outubro, às 21h na sua Sala Principal, sempre com entrada livre (!), o convidado é David Santos que ali estivera em Janeiro último musicando a peça coreográfica de Rui Horta “Estado de Excepção”.

   Vem agora de novo como Noiserv, homem-orquestra (ou “banda de um homem só”, como lhe chamam), para o lançamento do seu novo álbum “Almost Visible Orchestra” (prestes a entrar no mercado) e para assinalar, em concerto de entrada livre, o Dia Mundial da Música.

   Conta no seu currículo com o bem sucedido disco de estreia “One hundred miles from thoughtlessness (2008), o EP “A day in the day of the days” (2010), e mais de quatrocentos concertos por Portugal e pelo resto do Mundo, além da colaboração regular em projectos de teatro e cinema.

   Mostramos-lhe o clip “I was trying to sleep when everyone woke up” do novo Almost Visible Orchestra :

 

 

 

kantata-de-algibeira1   Já à tarde, às 18h30, no Jardim de Inverno do mesmo São Luiz TM, sempre com entrada livre, outra homenagem ao Dia Mundial da Música foi a apresentação de “Kantata de Algibeira”, incluida no projecto “Palavras que o Vento não Levará” (apoiado pelo Plano de Desenvolvimento Comunitário da Mouraria), uma colaboração com a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio.

   Sons da cidade, instrumentos musicais e vozes faladas ou cantadas entram nesta paisagem musical construída ao longo de três meses pelos participantes, um grande coro formado por gente de todas as idades e formações, sem experiência de palco, grande parte dela moradora na parte velha de Lisboa (principalmente da Zona da Mouraria), sob direcção de Margarida Guia. Com texto de Regina Guimarães, cujo tema central é o dinheiro, musicado por João Paulo Esteves da Silva, o espectáculo é o resultado de um trabalho oficinal de voz, «uma descoberta de si próprio e da possibilidade de descoberta dos outros através das artes» (como assinala o programa do SLTM).

 

 

   Também no Teatro da Trindade, às 18h30, é organizado um Concerto Comemorativo do Dia Mundial da Música onde a Fundação INATEL aproveita para fazer a distribuição de prémios de diversas categorias musicais.

   O programa integral do concerto incluirá as seguintes obras de :

      Henryk Wieniawski  2º concerto para violino, em Ré menor, op. 22 por Louisa Rocha violino

      Max Bruch  Concerto para violino, n.º 1, em Sol menor, op. 26 por Joana Weffort violino

      Camille Saint-Saëns  Concerto para Violoncelo, n.º 1, em Lá menor, op. 33 por Maria Nabeiro violoncelo

      Frédéric Chopin  Estudo nº 7, op. 25 por Tiago Rosário piano

      Sergei Rachmaninoff  Trio élégiaque n.º 1, em Sol menor pelo Triokovitch

                                            (Lucas Freitas violino, Joaquim Morais violoncelo e Tiago Rosário piano)

      Igor Stravinsky  História do Soldado pelo Stravinstrio

                                            (Vítor Trindade  clarinete, Miguel Erlich violino e Ana Pires  piano)

   Ouçamos aqui outra instrumentista célebre na execução da peça de Camille Saint-Saens, o Concerto para Violoncelo nº 1, a violoncelista Jacqueline du Pré com a Orquestra de Filadélfia dirigida por Daniel Barenboim, seu marido, em Janeiro de 1971, numa gravação ao vivo :

 

 

 

   Por último, vai estrear nesta Terça-feira, 1 de Outubro (e continuará de Terça a Sábado às 21h30 até 16 de Outubro)cartaz_lavadouro_site a peça de Helder Costa intitulada “O Lavadouro” que será representada no Lavadouro das Francesinhas na Madragoa (Rua das Francesinhas, esquina com a Travessa do Pasteleiro, em Lisboa).

   Serão intérpretes Maria do Céu Guerra, Susana Cacela, Paula Coelho, Paula Bárcia, Carolina Parreira, Sónia Barradas, Nádia Yeacema e Isa Magalhães.

   Sinopse :

   «No Tanque da Madragoa, transformado em espaço cénico, juntar-se-ão  mulheres de todas as idades e de todas as condições para lavarem a sua roupa e a dos outros. As mães, as filhas, as irmãs, as viúvas, de várias gerações/vários tempos, cada uma tem um rosto, um corpo e uma vida a confiar às outras e cada peça de roupa tem uma história. Mulheres sozinhas entregues a si e ao seu trabalho por acção da guerra e da pobreza.

   Assim vai decorrendo o século XX português desde  a primeira república, a I e a II Grande Guerra, a ditadura de Salazar, a guerra colonial e o 25 de Abril que inaugura a II República». 

   E é tudo, caros leitores. Boa música !

 

 

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