CARBONÁRIA ? – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

Diz-me o Mário-Henrique Leiria:

– O meu avô é que era um gajo porreiro e muito giro. Pertencia à Carbonária. De segunda a sexta-feira trabalhava mas nos fins de semana fazia a Revolução. Ainda tenho lá em casa o bacamarte que ele usava contra a Monarquia…

Quero ver esse tal de bacamarte e tu convidas-me a ir a tua casa, uma vivenda em Carcavelos, a dois passos de Lisboa, à beira-mar, logo depois da foz do Tejo.

– Mas num domingo à noite, está a ouvir?
– Porquê domingo à noite?
– Tu vais ver…

E vejo. A vivenda onde moras, que foi dos teus pais, que é da tua mãe, fica próximo da estação dos Caminhos de Ferro, mesmo ao lado do cinema. À meia-noite subimos à torrinha e quando os espectadores começam a sair do cinema para a rua, tu empunhas o bacamarte do teu avô e começas aos tiros. Para o ar, mas aos tiros. A malta desata toda a fugir e tu a rir. E eu também, obviamente…

Só agora é que estou realmente a perceber-te: nas horas mais insólitas o teu gene da Carbonária resolve pôr os corninhos ao sol. Até de noite…

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