EDITORIAL – Fascistas e «democratas»

Imagem2Como referimos num artigo de Josep Anton Vidal publicado há dias atrás, os professores baleares estão em greve contra a imposição feita pelo Governo autonómico de um modelo linguístico que retira à variante balear da língua catalã o carácter de «língua nacional», permitindo que para aceder a lugares da Administração autonómica se possa usar o castelhano. Embora esta norma não abranja lugares de docência e de atendimento ao público, nos quais o catalão é obrigatório. O Tribunal Constitucional veio agora sancionar esta medida, não aceitando o recurso de inconstitucionalidade apresentado pela bancada socialista do Senado contra a referida reforma que coloca de novo o castelhano como língua supranacional.

Já temos ouvido portugueses a dar razão às medidas centralistas do Estado espanhol. E logo, como reforço, estabelecem comparações entre as nações hispânicas subjugadas pelo centralismo de Madrid e as regiões portuguesas, submetidas a uma excessiva centralização de serviços que poderiam ser distribuídos por outras cidades em vez de se concentrarem em Lisboa. Uma reforma administrativa resolverá o problema. Regionalização, reforço dos poderes concelhios…

O Estado espanhol é um mostruário de deformidades. Todo esse acervo de contradições, tiranias e de mitos que consubstanciam o espanholismo, estava bem atado sob o franquismo. Não se compreende que tenha transitado para a suposta situação de legalidade democrática que após a morte de Franco se iniciou com Adolfo Suárez. Espanha é hoje um corpo desconexo onde persiste em muitas cabeças a nostalgia pela ordem, pela disciplina, que, até 1975, reinaram.

Sinal dessa nostalgia é a notícia, que desenvolveremos num post, de que num colégio nas proximidades de Madrid, se efectuou uma exposição evocadora do franquismo, do fascismo e do nazismo – cruzes suásticas, símbolos da Falange, uniformes e armamento, cachecóis, canecas, tudo ornado com símbolos dessa asquerosa expressão do capitalismo que provocou a morte de dezenas de milhões de seres humanos. A alcaldesa (a autarca) esteve na exposição, assistiu aos discursos e comprou recuerdos. Não foi demitida. Apenas criticada suavemente – o porta-voz do Governo regional, afirmou que não aprova “la exhibición de banderas o símbolos “nazis, fascistas pero tampoco comunistas o de cualquier otra ideología que haya supuesto tremendas pérdidas y atentados a derechos fundamentales”. Em Portugal, os fascistas foram mais pragmáticos – despediram-se da saudação romana, da camisa verde. Tirando pequenos grupos de tarados e de marginais, muitos deles acolhidos no caldo favorável das claques futebolísticas, excluindo esse folclore, hoje  são todos “democratas” – e com bons resultados, com colaboradores da PIDE a chegar ao topo da hierarquia do Estado. Aqui, o fascismo é passado – a democracia é que está a dar.

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