Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
The New Economic Nationalism, Part 2: The New Great Game
Primeira parte
Satyajit Das, 13 de Setembro de 2013 ·
Os comentadores admitem frequentemente que o comércio de bens e serviços e a livre circulação de capitais têm estado a ser praticados num quadro relativamente sem restrições e tudo isto é ainda hoje uma realidade, um dado, mas a dinâmica a caminho de uma maior abertura económica poderá agora estar sofrer uma inversão da marcha relativamente à que até agora tem sido seguida, mudança esta com profundas implicações para a economia global. Esta peça, que é a continuação do exposto na 1ª Parte, mostra como é que os diferentes países se podem adaptar a esta mudança.
Se a pressão económica atual está a levar a uma mudança a caminho da autarcia, então os Estados Unidos da América (EUA), a Europa e a China irão considerar como opção realista o seu caminho para a situação de autarcia, embora por razões diferentes.
Esplêndido isolamento
Estruturalmente, os EUA podem funcionar com sucesso como uma economia fechada.
Os EUA permanecem como a maior economia do mundo, com cerca de 25% do produto interno bruto global (“PIB/PIB(M)”) e quase duas vezes o valor da China, a segunda maior economia do mundo.
A economia americana tem acesso a um grande e profundo mercado interno. A sua economia está menos exposta ao comércio internacional (cerca de 15% do PIB), do que as outras grandes economias.
Apesar da desigualdade na distribuição de rendimentos, a América permanece relativamente rica, com um PIB per capita de cerca de USD 50.000. As famílias americanas têm um substancial património líquido superior a USD 70 milhões de milhões, embora agora um pouco mais baixo de um pico de mais USD 80 milhões de milhões alcançado antes da crise financeira.
Os EUA continuam a ser um grande produtor de produtos alimentares, dado que têm a agricultura, com uma grande indústria transformadora. É um exportador líquido de produtos alimentares, controlando quase metade das exportações mundiais de cereais.
Também é rico em recursos minerais. As novas tecnologias permitiram à maior economia mundial ter acesso ao petróleo e ao gás natural, ao gás de xisto, especialmente, de formações geológicas bem mais antigas e que lhes eram anteriormente inacessíveis. Embora a independência energética dos EUA não seja provável no curto prazo, o aumento da produção de energia doméstica dá a esta nação do outro lado da Atlântico uma vantagem significativa através dos custos competitivos na energia. A redução das importações de energia também reduz a sua dependência relativamente aos seus fornecedores estrangeiros.
O dólar americano continua a ser a 1º e principal escolha de moeda de reserva mundial, com uma quota de mercado de cerca de 60% dos investimentos globais. A maioria do comércio global continua a ser expresso em dólares americanos. Os EUA levantam fundos nos mercados de capitais expressos na sua própria moeda, beneficiando de um mercado vasto para a colocação dos seus títulos, tanto interna como internacionalmente.
Os EUA têm uma demografia favorável, uma vez que tem um crescimento elevado da população relativamente a outros países industrializados, que registam baixas taxas de fertilidade, abaixo mesmo da taxa de substituição, somando o facto de se verificarem também níveis mais elevados de imigração, permanecendo um forte ímã para, a partir da emigração, atrair talentos e trabalho adicional.
A saída da integração global é parte integrante das grandes questões económicas com que esta nação se deve confrontar.
As políticas-chave incluem a manutenção de baixas taxas de juros para reduzir o custo do serviço da dívida e possibilitar que níveis mais elevados dos empréstimos contraídos possam ser mantidos no curto prazo. As baixas taxas de juro e as medidas de flexibilização quantitativa ajudam a desvalorizar o USD, reduzem o nível da dívida pública, diminuindo mecanicamente o seu valor em termos de moeda estrangeira.
Um dólar mais fraco estimula as suas exportações, reduz os seus desequilíbrios comerciais, reduzindo analogamente o custo de base da produção nacional, incentivando a mudança de produção, de bens importados para bens nacionais, contribuído a que uma parte da indústria transformadora e de montagem anteriormente deslocalizada passe a relocalizar-se neste, o que com certeza irá ajudar a criar os empregos necessários para reduzir o desemprego. Por sua vez o crescimento mais forte e um baixo valor de desemprego ajudará a reduzir o seu grande défice orçamental.
A mudança para uma economia mais fechada é consistente com o isolacionismo natural da América, centrado num proteccionismo agressivo, com o intuito de querer proteger os seus interesses económicos e a expandir a sua influência e poder. Como William G. Hyland, conselheiro-adjunto da Segurança Nacional dos Estados Unidos junto do presidente Gerald Ford e editor da revista Foreign Affairs, observou: “o proteccionismo é o aliado de isolacionismo”.

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