Passavam poucos minutos das 9 horas da manhã do dia 5 de Outubro de 1910, quando José Relvas içou a nova bandeira nacional na varanda do município da capital. O regime monárquico que vigorara ao longo de quase oito séculos dava lugar à República. Iniciado no dia 2, o movimento revolucionário, congregando unidades militares e forças civis, triunfava naquela madrugada.
Por muito que os movimentos monárquicos, de dimensão insignificante, procurem atribuir ao regime republicano todas as responsabilidades no caos político, económico e social que se foi adensando e que em 1926 conduziu à instauração de uma ditadura que iria manter-se quase por meio século, os males estruturais do País vinham de longe, a República herdou-os de uma monarquia constitucional que se submetia aos objectivos da Grã-Bretanha, com a Igreja Católica a imiscuir-se de forma abusiva na governação. E para o próprio caos contribuiu sempre durante os dezasseis anos da Primeira República, as movimentações, as sabotagens, as actividades traidoras e desonrosas dos monárquicos. Excepção feita, é justo dizê-lo, ao rei deposto, D. Manuel II, que sempre manteve uma atitude patriótica e de defesa dos interesses supremos da Nação.
O movimento monárquico, apêndice insignificante de um diminuto CDS-PP, quase não têm expressão. Mas obteve uma vitória quando o bando de oportunistas que ocupa o governo decretou a extinção do feriado de 5 de Outubro. Mostramos a bandeira da República. República aviltada por um presidente indigno do cargo e por um sistema democrático que permite a tomada do poder por gente herdeira do salazarismo. O espírito da República vive nos corações republicanos e, se não o deixarmos matar, um dia voltará.
VIVA A REPÚBLICA!


