Pentacórdio de Sábado, 5 de Outubro

por Rui Oliveira

 

 

 

 

 

musicapracas2013

   O evento mais mobililizador deste Sábado, 5 de Outubro − agora que discricionariamente (quase) suprimiram as celebrações da implantação da República !…, − será certamente o Música nas Praças em 2013 com que a Metropolitana  comemora (com atraso) o Dia Mundial da Música deste ano.

   Evento marcante em cada ano, momento de aproximação do cidadão à cidade, ir-se-á, uma vez mais, povoar com sons alguns dos espaços urbanos mais emblemáticos de Lisboa,  das 11h às 23h, a saber : Largo do Carmo / Praça Luís de Camões / Miradouro de Santa Catarina / Ruínas do Carmo / Largo de São Carlos / Museu Nacional de Arte Contemporânea (Museu do Chiado) (ver programação completa aqui ).

   Ouvir-se-á, nomeadamente, entre outros :

   − O Brass Ensemble da Metropolitana (dir. mus. Reinaldo Guerreiro) interpreta no Largo do Carmo (11h15), Praça Luís de Camões (12h) e Miradouro de Santa Catarina (12h45) de Giovanni Gabrieli  Sonata Pian’ e Forte, do livro Sacrae Symphoniae e de Georg Friedrich Händel  Música para os Reais Fogos de Artifício.

   Existe o registo duma sua actuação anterior no mesmo tema haendeliano :

 

   − O Coro Infantil da Universidade de Lisboa (dir. mus. Erica Mandillo) canta, nas Ruínas do Carmo (17h15) coro intantil da ULdesde Fernando Lopes-Graça  Agora Baixou o Sol  e Eurico Carrapatoso – Ave Maria e O Gato das Botas e o Marquês de Carabás (Chiaroscuro / 1.ª parte) até Gabriel Fauré  Toujours, George Gershwin  Clap Your Hands ou Maurice Ohana  Neige sur les Orangers e Mayombe ou Veljo Tormis  Ringmängulaul.  

   Ouçamo-los em Neige sur les Orangers de M. Ohana :

Coro_Juvenil_de_Lisboa_web   − O Coro Juvenil de Lisboa (dir. mus. Nuno Margarido Lopes) entoa nas Ruínas do Carmo (18h30) uma  Homenagem a Verdi 200 Anos que compreende árias de Giuseppe Verdi das óperas “Giovanna d’Arco”, “I Lombardi alla Prima Crociata”, “Macbeth”, “Luisa Miller”, “Nabucco” e “La Traviata, como o «Coro di Matadori» ; mas também de zarzuelas como “La verbena de la Paloma” (Tomás Bretón),  “Luisa Fernanda” (Federico Moreno Tórroba), “La Flor de la Canela” (Chabuca Granda). 

 

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   − O Coro do Tejo (dir. mus. Clara Alcobia Coelho) canta nas Ruínas do Carmo (20h15) com Ariana Russo soprano, Rita Tavares contralto, Pedro Cachado tenor, André Baleiro baixo e Luíza da Gama Santos e Ilda Ortin no piano as “Valsas Liebeslieder” (Canções de Amor), Op. 52 de Johannes Brahms.

   − As Percussões da Metropolitana (dir. mus. Marco Fernandes) tocam no Largo de São Carlos, (16h) de Jacob Remington – Prelude to Paradise, Kevin Erickson – At the Dawn of War, Rüdiger Pawassar – Sculpture in Wood, Andrew Stout – The Lost e de Bill Whelan – Riverdance (arr. de Lino Guerreiro).

 

   − A Orquestra de Sopros Metropolitana (dir. mus. Reinaldo Guerreiro) interpreta no Largo de São Carlos (17h30), de Dmitri Chostakovich  Abertura Festiva e de Modest Mussorgsky Quadros de uma Exposição (arr. de José Schyns).

   À falta de outro, ouça-se este também “clássico” da música russa “O Quebra-Nozes” de Tchaikovski pela Orquestra de Sopros da OML :

 

   − O Septeto do Hot Clube de Portugal (Gonçalo Marques direção musical / trompete, César Cardoso e Jorge Reis saxofones, Paulo Santo vibrafone, André Fernandes guitarra, Nelson Cascais contrabaixo e Pedro Felgar bateria) toca no Largo de São Carlos (19h).

   − Finalmente, a Orquestra Metropolitana de Lisboa (com dir.mus. Pedro Amaral) tocará no Largo de São Carlos, às 21h30, de Igor Stravinsky – Pulcinella, Suite do Bailado e de Paul Hindemith – Sinfonia Mathis der Maler.

   Aqui a OML toca outra suite de bailado, também de Stravinski, O Pássaro de Fogo :

 

 

 

   Também neste Sábado, 5 de Outubro, às 21h, por iniciativa da Academia de Música de Santa Cecília, haverá na Sala dos Espelhos do Palácio Foz um Recital pelo Ensemble Vocal da Academia de Música de Santa Cecília com a habitual entrada livre.ensemble vocal da ASC

   Acompanharão o Ensemble sob a direcção musical do Professor António Gonçalves os seguintes instrumentistas :   Álvaro Pinto, violino, Denis Stetsenko, violino, André Araújo, violeta, Ana Raquel Pinheiro, violoncelo, Ana Sofia Sequeira, teorba e Flávia Almeida e Castro, cravo.

   Irão interpretar extractos da ópera “Dido e Eneias” de Henry Purcell.

   O registo duma sua interpretação de outros temas no CCB em 2009 revela as potencialidades do Ensemble :

 

 

   Um concerto único (a não perder) neste Sábado, 5 de Outubro é o que dará no Hot Club de Portugal, às 22h30, a Ray Anderson’s Pocket Brass Band composta por Ray Anderson  trombone, Lew Soloff  trompete, Mat Perrine sousaphone e Eric McPherson  bateria.The-Ray-Anderson-Pocket-Brass-Band-performs-at-the-2013-Newport-Jazz-Festival-1024x681 - Copy

   Ray Anderson, nos palcos do jazz há já largos anos, vem sendo caracterizado como “provavelmente o tocador de trombone mais interessante e tecnicamente mais virtuoso da cena internacional”. Ganhou recentemente e por várias vezes o DownBeat poll.

   O seu novo projecto é dedicado à tradição de New Orleans, mas vista à sua maneira, sendo a Pocket Brass Band uma versão, embora menor (só no tamanho, não no potencial…), das bandas das marchas locais.

   Ouça-se-o quase com a composição actual, embora noutro projecto em 2010 (quem quiser relembrar actuações suas anteriores p.ex. de 1997, pode ouvir uma aqui ):

 

 

   Como curiosidade, registe-se a vinda ao Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h deste Sábado, 5 de Outubro, do grupo bracarense “Peixe : Avião” cujo novo álbum «representa, em vários aspectos,peixe avião uma mudança de direcção em relação aos registos anteriores da banda. O seu carácter visceral e orgânico, manifestado pela sonoridade crua, pelo processo de composição conjunto na sala de ensaio e pela elevada parcimónia nos arranjos, levou a banda a baptizar o disco de peixe : avião, como representação da banda no seu estado puro» (diz o CCB).

   A primeira parte do concerto fica a cargo dos “Long Way To Alaska” que apresentam o seu último trabalho, “Life Aquatic EP”, em que a banda veste as suas músicas com uma nova roupagem.

   O CCB divulga (e promove) um vídeo-anúncio do primeiro CD (que pode ver-se aqui ).

 

   Por último duas notas, uma de teatro, outra de cinema.

 

   No teatro, termina neste Domingo, 6 de Outubro, a representação que é feita desde Terça 2 no Teatro do Bairro (na Rua Luz Soriano) às 21h (excepto Domingo às 17h) da peça “Vendem-se Pesadelos”.

   Da autoria de Joana Pereira, com encenação de Alexandre Fraga, do seu elenco fazem parte Ana Valentim, Joana Pereira, Mário Coelho, Marta Gil, Miguel Santiago, Ruben Pereira e Sónia Nunes.

   Sinopse : Uma loja, de localização incerta e aspecto sombrio, é gerida por duas estranhas irmãs com uma relação complicada. Estas vendem os seus peculiares produtos a um leque variado de clientes, que procura desesperadamente uma solução incomum para os seus problemas. E se fosse possível engarrafar um pesadelo?.

 

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   Quanto a cinema, uma chamada de atenção para um ciclo que a Cinemateca organiza intitulado “Tesouros de Bolonha – Homenagem à Cineteca di Bologna” e que se prolonga desde este Sábado 5 de Outubro até ao final do mês (29 de Outubro).cineteca_1

   Será um tributo ao trabalho de Bolonha, que a Cineteca desenvolve em colaboração estreita com o do laboratório “L’Immagine Ritrovata”, especializado em restauro cinematográfico, e com o “Il Cinema Ritrovato”, um festival de caraterísticas únicas concebido por e pela cinefilia.

   Vai permitir mostrar agora em Lisboa, reunidos em vinte e um programas, os filmes que são grandes clássicos do cinema (de Chaplin, Ford, Dreyer, Epstein, Renoir, Stroheim), títulos fundamentais do cinema italiano – das suas grandes divas mudas (Francesca Bertini, Lyda Borelli, Leda Gys), de muitos dos seus grandes cineastas (Fellini, Pasolini, Antonioni, Risi, Comencini mas também os mais raro Vittorio De Seta ou Cecilia Mangini), representativos de um lado mais submerso da cinematografia italiana.

Bologna-Seminar-2012   Gian Luca Farinelli, director da Cineteca di Bologna, vem a Lisboa e fará uma conferência. No dia 10.

   Neste Sábado 5, na Sala Dr. Félix Ribeiro, às 21h30, exibe-se um  programa excepcional, que a Cineteca di Bologna intitula “Il Mondo Perduto / O Mundo Perdido” (curtas-metragens de Vittorio De Seta 1954-1959) que reúne o conjunto das dez preciosas curtas-metragens documentais realizadas por De Seta na segunda metade da década de cinquenta, na Sardenha, Sicília e Calábria. No seu registo realista e poético, De Seta filma o mundo do trabalho e dos gestos quotidianos de pastores, pescadores e operários, bem como a sua ligação à paisagem – ao mar, à terra, ao céu.

   A ver.

 

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