O NOVO NACIONALISMO ECONÓMICO, 2ª PARTE: O NOVO GRANDE JOGO. Por SATYAJIT DAS.

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

The New Economic Nationalism, Part 2: The New Great Game

QUARTA PARTE

Satyajit Das, 13 de Setembro de 2013

(CONTINUAÇÃO)

Os pequenos países como vizinhos

Para as nações sem uma grande economia interna, sem recursos económicos adequados ou com necessidade de mercados para as suas exportações o abandono da integração global coloca desafios.

Por exemplo, as pequenas nações não podem influenciar as taxas de câmbio para influenciar as trocas comerciais, como o podem fazer as grandes potências. Em vez disso, os países exigem estratégias pragmáticas para prosperar.

A alternativa da constituição de blocos comerciais para combater a mudança para a situação de economias fechadas comerciais pode ela própria evoluir.

Os países ricos em recursos naturais podem aliar-se com as grandes nações, tais como EUA, Europa ou China, tornando-se fornecedores preferenciais de bens alimentares, energia ou matérias-primas. Por sua vez, eles podem em contrapartida serem mercados para os produtos ou serviços e para o investimento dos seus parceiros comerciais.

Os países africanos estão a prosseguir com esta política, concluindo acordos para o fornecimento a longo prazo para produtos agrícolas ou minerais, procurados pela China. Em troca, esta nação oriental está preferencialmente a expandir o seu investimento, comércio e a ajuda ao desenvolvimento para estas nações, coordenando estas acções com bancos e outras empresas chinesas.

A Austrália tornou-se numa importante fonte de matérias-primas para a China. A Rússia tornou-se um fornecedor de energia e de commodities para a Europa. No âmbito do acordo NAFTA, o Canadá tornou-se um importante fornecedor de energia para os EUA, enquanto o México fornece trabalho de baixo custo para as empresas americanas.

Estrategicamente localizado, Singapura, um pequeno país orientado para o comércio externo assim como a Suíça, pode tornar-se uma importante plataforma comercial ou um grande centro financeiro à escala mundial, fornecendo o trading, a logística, seja ela financeira ou de serviços de investimento.

Se eles pudessem ultrapassar as suas animosidades históricas e conflitos territoriais, então, o Japão e a China poderiam evoluir no quadro de uma parceria mutuamente benéfica. O Japão é o segundo maior parceiro comercial chinês, sendo inclusive também um dos seus maiores investidores estrangeiros.

Este país banhado pelo oceano Pacifico possui tecnologia avançada e precisa de mercados para as suas exportações, tendo sido expressivamente beneficiado do progresso tecnológico nipónico as empresas chinesas (um grande mercado potencial) em termos de competências profissionais e de formação de mão-de-obra, assim como em termos de propriedade intelectual. Ainda aqui, o Japão, o maior pool de poupanças do mundo, está continuamente à procura de oportunidades de investimento.

Apesar de uma história de divergências políticas intermitentes, a Índia pode procurar estreitar os laços com a China. Uma tal aliança ajudaria a Índia a ultrapassar alguns dos seus constrangimentos, incluindo o financiamento do seu grande défice da balança corrente e dos seus défices orçamentais, as suas necessidades de capital de investimento e a sua escassez de infra-estruturas. A China proporcionaria um melhor acesso às matérias-primas e ao grande mercado interno indiano. Um bloco constituído pela China e pela Índia, Chindia, não é inverosímil tendo em conta que os dois países têm ricos laços culturais que os levariam assim aos tempos antigos e aumentariam as suas ligações comerciais.

As nações vão ter que abandonar inevitavelmente os laços históricos e preconceitos, vão ter de trocar o seu status político contra a prosperidade económica e a segurança na nova ordem mundial. Na série de TV britânica Downtown Abbey, Cora Crawley pergunta à sua sogra: “Somas amigas, então?” A resposta da Condessa-viúva é muito instrutiva: “Somos aliadas, minha querida, o que pode ser um bom negócio e bem mais eficaz.” As pequenas nações, incapazes de recuar para a situação de autarcia, precisarão de ajustar as suas estratégias para se aproveitarem ao máximo da nova ordem mundial.

(continua)

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Para ler a Terceira Parte deste trabalho de Satyajit Das, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

http://aviagemdosargonautas.net/2013/10/05/o-novo-nacionalismo-economico-2a-parte-o-novo-grande-jogo-por-satyajit-das-3/

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