EDITORIAL – José do Telhado revisitado

Imagem2Pedro Mota Soares, ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, com aquele seu ar de terapeuta da fala ou de quem se dirige a pessoas com problemas cognitivos, anunciou o corte, em 2014, nas pensões de sobrevivência, quando acumuladas com uma segunda reforma. Não disse a partir de que montante mínimo o corte será feito. O Orçamento do Estado, que será apresentado no parlamento até 15 de Outubro, esclarecerá as vítimas sobre mais esta emboscada.

Explicou o ministro que esta «medida» (medida é um eufemismo que no vocabulário do executivo substitui a palavra roubo), permitirá que dos 2700 milhões de euros que o Estado despende em pensões de sobrevivência, prestações atribuídas a viúvas e viúvos para compensar a perda de rendimentos de trabalho resultante da morte do cônjuge,  uma poupança de 100 milhões de euros, abrangendo beneficiários de pensões de sobrevivência na Caixa Geral de Aposentações e no regime geral da Segurança Social e protegendo os pensionistas com rendimentos mais baixos.

Rouba-se aos pobres para dar aos pobres. Ou melhor, rouba-se aos pobres para não tocar no que os elementos do bando oligárquico acumularam com as suas manobras especulativas no caldo de corrupção em que a governação se transformou. É a «justiça social» de que esta gente é capaz. «Justiça» que mais não é de que um roubo, pois, em nome de uma divisão equitativa dos recursos, está a retirar-se aos trabalhadores, que fizeram durante as suas carreiras contributivas descontos para a Segurança Social, as pensões a que têm direito.

Por mais que o ministro da scooter abra os olhos, num didactismo parolo, a explicação que deu, nada explica. Ou melhor, explica que, com este governo, não faltará muito para que andemos a pedir esmola uns aos outros. Se lhes dermos tempo, ainda terão oportunidade para, numa das suas «medidas» de justiça social, criar uma tabela de impostos sobre o produto das esmolas.

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