EDITORIAL – OS ESTADOS UNIDOS E OS LOBBIES

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As tentativas de Obama para conseguir a aprovação do  Patient Protection and Affordable Care Act (PPACA), relativo aos serviços de saúde e segurança social, deram nisto: a paralisação pelos republicanos do funcionamento do estado federal, negando-se a aprovar o respectivo orçamento. Resultado: os serviços públicos federais paralisaram, centenas de milhar de funcionários deixaram de receber os seus vencimentos e tiveram de ir para casa, e fala-se da ameaça de uma crise financeira pior que a de 2008, a tal que serviu de pretexto para as políticas de austeridade que ameaçam não nos largar para o resto das nossas vidas. Uma crise ainda pior que esta, aonde nos levará? Estamos claramente perante uma situação ameaçadora, não apenas para os EUA, mas para todo o mundo.

Entretanto, sugerimos as seguintes leituras:

http://www.thenation.com/blog/176598/shutdown-politics-support-democratic-takeover-house-spikes?utm_medium=email&utm_source=HeadlineNation&utm_term=&utm_campaign=#

http://obamacarefacts.com/obamacare-facts.php

Isto para além dos textos do argonauta Júlio Marques Mota, a ler às 13 horas aqui em A Viagem dos Argonautas, primeiro O governo de Obama está paralisado e à beira de uma situação De incumprimento, este saído anteontem e ontem, e a seguir Obamacare ou Obamamare, quem vencerá? a começar a publicação hoje.

Tem que se salientar que as sondagens, em geral favoráveis a Obama e á implantação do novo sistema, não são assim tão esmagadoras. E é esse aspecto que merece uma atenção muito especial. A grande divisão entre os americanos sobre esta nova legislação dá a entender que um grande número de pessoas se lhe opõe. Porquê? A resposta que vem ao pensamento, e parece realmente que é invocada frequentemente pelos oponentes é a de que temem um grande aumento de impostos. Contudo é bastante difícil aceitar que seja unicamente essa a razão determinante. Então, e as gigantescas despesas militares? as verbas descomunais para manter de pé bancos e companhias periclitantes? E não se pensa nas vantagens que advêm de uma cobertura de saúde mais eficaz. Ao fim e ao cabo já tem sido referido que os EUA, o país que produz mais riqueza no mundo, tem contradições sociais que chegam a assemelhar-se às existentes na Índia. O que também traz custos reais, a não ser que se adopte o tal sistema de deixar as pessoas morrer á míngua. E os serviços de saúde, de segurança social, de educação também implicam a criação e manutenção de postos de trabalho.

Será assim tão grande o espírito de competição nos EUA? Ou será que as companhias de seguros, a indústria farmacêutica e outras exercem um poder excessivo, de um modo insuficientemente conhecido por muita gente? Lá como cá, ao fim e ao cabo.

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