AS MULHERES EM PORTUGAL – COMO VIVEM – por Clara Castilho

 0001 (2)Sabe-se que as mulheres são a maioria da população residente, que vivem mais tempo, casam e têm (menos) filhos cada vez mais tarde. Numa década, o número de mulheres em idades mais jovens diminuiu, e aumentou o número de mulheres que vivem sós.

 A população feminina é ligeiramente superior à masculina e com maior longevidade e mais mulheres do que homens vivem sós, sobretudo entre a população mais idosa.

A nível da saúde materna, o número de partos têm vindo a diminuir e a idade das parturientes a aumentar. As mulheres cada vez vão mais a consultas de ginecologia-obstetrícia e de saúde materna nos centros de saúde.  Cresce o número de interrupções voluntárias de gravidez, legalmente efectuadas. O número de médicas ao serviço ultrapassa o número de médicos.

As doenças do aparelho circulatório são a principal causa de morte das mulheres; em 2010, morreram 30 mulheres por cancro da mama, em cada 100 mil; a relação de feminilidade cresce entre os óbitos por causas de morte externas; o número de anos potenciais de vida perdidos por doenças do aparelho circulatório reduziu-se para cerca de metade.

2001g copy

Ilustração: quadro de Dorindo Carvalho

O número de mulheres vítimas de crimes contra as pessoas aumentou na última década e o número de reclusas diminuiu para metade entre 2000 e 2010.

Existem mais mulheres com nível de escolaridade superior (duplicou o número de doutoradas) e secundário, e menos mulheres jovens em situação de abandono precoce de educação e formação. Privilegiam as áreas das ciências sociais, comércio e direito, saúde e protecção social e educação. O número de mulheres doutoradas mais do que duplicou. Acompanharam a evolução positiva observada no país ao nível da investigação e desenvolvimento, assim como na utilização de tecnologias de informação e comunicação.

As mulheres apresentam taxas de actividade e de emprego mais baixas, e de desemprego mais elevada. Porém, mais de um quinto das mulheres empregadas exercia funções de dirigentes e de carácter intelectual e científico. As mulheres com escolaridade superior são as que têm mais elevada participação no mercado de trabalho e mais de um quinto das mulheres empregadas em funções dirigentes e de carácter intelectual e científico. A maioria das mulheres inactivas é doméstica.

No que respeita a prestações de desemprego e de rendimento social de inserção, as mulheres são beneficiárias em proporção praticamente idêntica à dos homens, tendo havido um aumento de beneficiárias. As mulheres, sobretudo as mais velhas, estão mais expostas ao risco de pobreza, sendo a sua intensidade superior nas mulheres até aos 64 anos face às mulheres mais idosas.

Como conciliam elas a vida profissional e a vida familiar? Esta é ainda uma prática prosseguida sobretudo pela população feminina. São as mulheres quem mais utiliza instrumentos de conciliação, como a redução do horário de trabalho, a interrupção de carreira e a licença parental. Os cuidados a menores e a pessoas dependentes são, também, assegurados essencialmente pelas mulheres. A existência de filhos, sobretudo em idades mais baixas, e o nível de escolaridade condicionam a participação feminina no mercado de trabalho. De facto, a idade dos filhos e escolaridade condicionam a participação das mulheres na vida activa. As mulheres asseguram a maior parte das licenças de acompanhamento parental.

Dados retirados de “Ser Mulher em Portugal – 2001-2011″- Instituto Nacional de Estatística.

1 Comment

Leave a Reply