BALANÇO DA NOSSA EDIÇÃO DE ONTEM, SOBRE A CONDIÇÃO FEMININA E A IGUALDADE DE GÉNERO. Por JOÃO MACHADO.

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A nossa edição de ontem, dia 14 de Outubro, foi feita sob a égide de Hannah Arendt, alemã e judia, que não se destacou como feminista, mas sim como filósofa. Incluiu 24 posts, de diferentes tipos, mas todos dirigidos ao tema “A condição feminina e a igualdade de género”. O número de leituras do dia foi bastante mais elevado do que tem sido habitual, o que se deve sem dúvida ao interesse da matéria e à expectativa de ler textos de boa qualidade. Mas claro que esta tendência terá de ser aferida pelos números de leituras de cada post, nos próximos dias e num futuro mais distante.

Na minha opinião a qualidade, em geral, foi elevada, e acertada a orientação da Clara Castilho de, primeiro, recordar as mulheres que se destacaram pelo valor das suas acções. Está muito interessante a recordação que foi feita das feministas portuguesas, mas achei merecer particular destaque a de Domitila de Carvalho, pelo Luís Salgado de Matos. Achei mais interessante ainda, contudo, a evocação de Rosália de Castro pelo Carlos Durão e pelo Carlos Loures, intitulada Rosalía de Castro e o Rexurdimento. A presença da fundadora da literatura galega moderna, em conjunto com a nota do Josep Anton Vidal sobre a feminilidade e o feminismo na literatura catalã, faz-nos sentir que não estamos sós no mundo, lutando contra a prepotência castelhana e as fantasias europeias.

Saliento a seguir o testemunho pessoal de duas escritoras habituais de A Viagem dos Argonautas, da Manuela Degerine e da Margarida Ruivaco, que apresentaram as suas vivências, cada uma a seu modo, muito humanamente, mostrando como a vida e a sociedade condicionam duas mulheres tão competentes e com tanta capacidade, e a coragem que têm tido na sua luta.

O Manuel Simões e o Moisés Cayetano Rosado apresentaram-nos dois livros, respectivamente, Uma Antologia Improvável. A Escrita das Mulheres (Séculos XVI a XVIII) e A Memória das Mulheres. Montemor-o-Novo em tempos de ditadura, que vamos destacar no futuro.

Tenho que salientar, no tratamento das grandes questões que continuam em aberto e que impedem a plena igualdade de género, o texto da Joana Domingues, Quanto mais me bates Menos gosto de ti, pelo modo simples e rigoroso como nos informa sobre um problema tão terrível como o da violência doméstica.

Mas o que sinto como mais relevante, mais oportuno, em todo este trabalho para que contribuíram, de um modo tão empenhado e competente,  várias e vários argonautas, foi a recordação do conceito de Hannah Arendt, sobre a banalização do mal. Na realidade a filósofa conseguiu sintetizar um dos fenómenos mais inquietantes da sociedade humana. À acomodação das pessoas às situações, segue-se uma aceitação, sobretudo oportunista ou passiva, das ideias mais disparatadas, que podem levar ao desenvolvimento de acções medonhas, como foi a perseguição aos judeus (que parece querer reaparecer em vários pontos do mundo), é hoje o genocídio dos palestinianos, que decorre perante a maior indiferença da maior parte das pessoas, o mito da inferioridade da mulher, que pode voltar a actuar, o ódio ao estrangeiro, o racismo baseado na cor da pele, quantos mais…

Será uma análise a continuar.

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