EDITORIAL – Foi em 18 de Outubro…

Imagem2É frequente neste espaço diário que a fadiga de comentar os factos da política nacional, e mesmo da internacional, nos leve a preferir fazer incursões no passado e a escolher efemérides mais motivadoras do que, por exemplo,  a deslocação de Cavaco e Passos Coelho para a Cimeira Ibero-Americana.  18 de Outubro é um dia rico em acontecimentos – Vamos referir apenas dois – um de 1929 e outro de 1934.

Para lembrar o dia 18 de Outubro de 1929, vamos passar a palavra ao nosso bem conhecido Eduardo Galeano que, no seu livro Los hijos de los días, nos diz: No dia de hoje do ano 1929, a lei reconheceu, pela primeira vez, que as mulheres do Canadá são pessoas. Até então, elas acreditavam sê-lo, mas a lei entendia que não. “A definição legal de pessoa não inclui as mulheres”,  sentenciara a Suprema Corte de Justiça.Emily Murphy, Nellie McClung, Irene Parlby, Henrietta Edwards e Louise McKinney conspiravam enquanto tomavam chá. Elas derrotaram a Suprema Corte. É uma data feliz para os optimistas e dramática para os pessimistas – como é possível que só em 1929…

Inequivocamente dramática para os democratas é a outra efeméride – 18 de Outubro de 1934. A Comuna das Astúrias era esmagada por forças do Exército de África. A insurreição que, em 5 de Outubro, eclodira contra o governo de direita, reunindo socialistas da UGT e anarquistas de CNT, fora jugulada em todo o estado espanhol. Só as Astúrias resistiam. Os mineiros tinham acorrido à cidade para a defender. Os regulares marroquinos cercaram a capital e a resistência foi impiedosamente esmagada. Um general gordo e baixote comandava as forças militares – dava pelo nome de Francisco Franco Bahamonde… Meses antes, em 18 de Janeiro de 1934, em Portugal, dera-se a Revolta da Marinha Grande, de contornos semelhantes e desfecho similar. O fascismo ganhava terreno.

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