No dia 4 de Abril deste ano informei que a Direcção Geral de Saúde tinha posto em discussão pública, até ao final desse mês, o Plano Nacional de Prevenção do Suicídio 2013-2017.
Agora a Direcção-Geral de Saúde (DGS) vai replicar no ano lectivo 2013/14 um projecto de prevenção em várias escolas do país, já ao abrigo deste Plano, entretanto aprovado.
E isto porque dois terços das tentativas de suicídios são feitas por jovens (30 mil tentativas por ano), sendo o mais comum a “intoxicação medicamentosa e por venenos” e tendo um final eficaz em pouco mais de mil suicídios por ano no total. É de lembrar que a Organização Mundial de Saúde calcula que por cada suicídio consumado ocorrem cerca de 30 tentativas.
O projecto + Contigo, que já tinha avançado no ano lectivo de 2009/10, nalgumas escolas de Coimbra, chegava a 741 estudantes do 3.º ciclo do ensino básico vai ser replicado. Com estes alunos trabalharam 66 profissionais de saúde, 228 professores e assistentes e 153 encarregados de educação.
E como se faz isto? Aumentando a capacidade de resolução de problemas, o reforço da auto-estima, o combate ao estigma em saúde mental.
O Projecto resultou de uma parceria entre a Escola Superior de Enfermagem de Coimbra e a Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro. José Carlos Santos, coordenador do Projecto, professor na ESEC e presidente da Sociedade Portuguesa de Suicidologia, afirmou ao Jornal de Letras de 18.09: “O Projecto assenta num modelo de intervenção em rede – formação com profissionais de saúde, professores e assistentes operacionais; sensibilização aos encarregados de educação e contacto com os alunos” para se fazer um diagnóstico de situação, para avaliar a sintomatologia depressiva, o bem estar, o autoconceito e a capacidade de resolução de problemas. Só depois se pode trabalhar com os alunos.
Evitemos o sofrimento, evitemos que se sintam como José Luis Borges nos apresenta em “Rosa profunda”
O Suicida
Não restará na noite uma só estrela.
Não restará a noite.
Morrerei e comigo irá a soma
Do intolerável universo.
Apagarei medalhas e pirâmides,
Os continentes e os rostos.
Apagarei a acumulação do passado.
Farei da história pó, do pó o pó.
Estou a olhar o último poente.
Oiço o último pássaro.
Lego o nada a ninguém.