Parece que agora o grande debate que aguarda os portugueses é a opção entre um novo resgate financeiro ou um programa cautelar. Ao que consta, a diferença mais visível entre um e outro seria não termos a visita regular dos funcionários da troika. Isto é, para citar Viriato Soromenho Marques (vejam link abaixo), teríamos a transferência de um sistema de protectorado para outro. Outras hipóteses, como por exemplo a de não pedirmos auxílio nenhum, parecem de difícil verificação.
Da parte do governo, parece que a opinião é de que há grandes diferenças entre as duas situações. Paulo Portas chegou a declarar ao Diário Económico que a opção pelo sistema de programa cautelar significaria o fim do protectorado (ver segundo link). Uma coisa é clara: a opção não vai ser decidida em Portugal.
É evidente que quando Portugal aderiu à União Europeia passou a depender cada vez mais de outrem. Anteriormente, já se poderia considerar que a independência de um pequeno país é sempre relativa. Mesmo a Suíça, famosa pela sua neutralidade, pela sua riqueza e pelo seu governo rigoroso, tem grande dependência do exterior. Contudo, a situação portuguesa é muito mais complicada, devida ao peso excessivo da sua classe dirigente, que forma uma autêntica oligarquia, à fragilidade da sua economia e aos erros políticos graves que têm sido cometidos. Entretanto, não se vê vontade política de cortar de raiz com o assunto.
Os grandes problemas começam nos sectores bancário e financeiro. Devia ser feita uma análise rigorosa de quanto estão a custar ao país. Não basta recordar o episódio do BPN, ou noticiar os factos ocorridos no BPP, ou no BCP, ou no BANIF. Evidentemente que as notícias são importantes, mas é preciso ir mais além. É preciso reformar drasticamente esses sistemas, que vivem para si próprios, e não para o país. A reforma do estado também é necessária, mas não é a reforma do estado invocada por Passos/Portas e afins, qual frase incantatória, sempre que se anunciam cortes nos salários e pensões. Seria uma reforma real, de adequação dos serviços públicos à realidade nacional, para melhor servir os cidadãos. Esta segunda formulação não é obviamente do gosto do actual arco do poder, até porque iriam ficar ainda mais claras muitas das suas motivações.
Os actuais governantes, e os seus próximos, vão aceitar sem pestanejar o que os organismos europeus decidirem, a começar pela famosa Comissão, presidida por Barroso, e pelo BCE, de Draghi. Assim, poderão continuar a manobrar entre as capitais europeias e o nosso pequeno rectângulo à beira-mar, sem grandes problemas para eles próprios. Nós é que não podemos.
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3493763
http://economico.sapo.pt/noticias/o-que-separa-uma-linha-cautelar-de-um-novo-resgate_177314.html

