A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
Ouve-se com alguma frequência dizer que já não faz sentido a dicotomia esquerda/direita. Políticos profissionais, comentadores e analistas políticos, politólogos, gente com responsabilidade dizem-no aberta ou discretamente. O fim do conceito de esquerda e direita, a extinção do conceito de classe, são coisas que interessam à direita e à falsa esquerda. O «fim» dos dois conceitos, já era, desde há anos, tema de discussão por essa Europa. Em 1994 foi publicada a edição portuguesa de um ensaio do italiano Norberto Bobbio, Direita e Esquerda (Destra e Sinistra), com o subtítulo Razões e significados de uma distinção política. Diz Bobbio: «Os dois conceitos – «direita» e «esquerda» – não são conceitos absolutos. São conceitos relativos. Não são conceitos substantivos ou ontológicos. Não são qualidades intrínsecas do universo político. São locais do «espaço» político, representam uma determinada topologia política, que nada tem a ver com a ontologia política: Não se é de direita ou de esquerda, no mesmo sentido em que se diz que se é «comunista», «liberal» ou «católico». Por outras palavras, «direita» e «esquerda» não são termos que designam conteúdos definitivamente assentes. Podem designar conteúdos diferentes, de acordo com as épocas e as situações».