CELEBRANDO VINICIUS DE MORAES – 9 – por Álvaro José Ferreira

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Para ouvir os poemas de Vinicius de Moraes (os recitados e os cantados), há que aceder à página

http://nossaradio.blogspot.pt/2013/10/celebrando-vinicius-de-moraes_29.html

e clicar nos respectivos “play áudio/vídeo”.

 AUSÊNCIA

Poema: Vinicius de Moraes
Música: Marília Medalha
Intérprete: Marília Medalha* (in LP “A Canção e a Voz de Marília Medalha na Poesia de Vinicius de Moraes”, Discos RGE, 1972, reed. Universal, 2001)

[instrumental]

Deixa secar no meu rosto
Esse pranto de amor que a presença desatou
Deixa passar o desgosto
Esse gosto da ausência que me restou
Eu tinha feito da saudade
A minha amiga mais constante
E ela a cada instante
Me pedia p’ra esperar

E foi tudo o que eu fiz, te esperei tanto
Tão sozinha no meu canto
Tendo apenas o meu canto p’ra cantar
Por isso deixa que o meu pensamento
Ainda lembre um momento
A saudade que eu vivi
A tua imagem fiel que hoje volta ao meu lado
E que eu sinto que perdi

* Produção – Vinicius de Moraes

MAIS UM ADEUS

Poema: Vinicius de Moraes
Música: Toquinho (Antônio Pecci Filho)
Intérpretes: Toquinho e Marília Medalha* (in LP “Vinicius, Toquinho e Marília Medalha: Como Dizia o Poeta…”, Discos RGE, 1971, reed. DiscMedi, 1998, Universal, 2001, Som Livre, 2005)

Mais um adeus
Uma separação
Outra vez, solidão
Outra vez, sofrimento
Mais um adeus
Que não pode esperar

O amor é uma agonia
Vem de noite, vai de dia
É uma alegria
E de repente
Uma vontade de chorar

Olha, benzinho, cuidado
Com o seu resfriado
Não pegue sereno
Não tome gelado
O gin é um veneno
Cuidado, benzinho
Não beba demais
Se guarde para mim
A ausência é um sofrimento
E se tiver um momento
Me escreva um carinho
E mande o dinheiro
P’ra o apartamento
Porque o vencimento
Não é como eu:
Não pode esperar

O amor é uma agonia
Vem de noite, vai de dia
É uma alegria
E de repente
Uma vontade de chorar

Olha, benzinho, cuidado
Com o seu resfriado
Não pegue sereno
Não tome gelado
O gin é um veneno
Cuidado, benzinho
Não beba demais
Se guarde para mim
A ausência é um sofrimento
E se tiver um momento
Me escreva um carinho
E mande o dinheiro
P’ra o apartamento
Porque o vencimento
Não é como eu:
Não pode esperar

O amor é uma agonia
Vem de noite, vai de dia
É uma alegria
E de repente
Uma vontade de chorar

O amor é uma agonia
Vem de noite, vai de dia
É uma alegria
E de repente
Uma vontade de chorar

* Arranjos – Briamonte
Produção – Toquinho
Coordenação – J. Shapiro
Gravado nos Estúdios Reunidos, São Paulo
Técnico de gravação – Milton Rodrigues

Saudades do Brasil em Portugal

Poema: Vinicius de Moraes
Música: Homem Cristo
Intérprete: Amália Rodrigues* (in LP “Amália/Vinicius”, Decca/VC, 1970, reed. EMI-VC, 1988, EMI-VC, 2001, Valentim de Carvalho/Iplay, 2008)

O sal das minhas lágrimas de amor
Criou o mar
Que existe entre nós dois
Para nos unir e separar

Pudesse eu te dizer
A dor que dói dentro de mim
Que mói meu coração
Nesta paixão que não tem fim

Ausência tão cruel, saudade tão fatal
Saudades do Brasil em Portugal

Meu bem, sempre que ouvires um lamento
Crescer desolador na voz do vento
Sou eu em solidão pensando em ti
Chorando todo o tempo que perdi
Chorando todo o tempo que perdi

* José Fontes Rocha – guitarra portuguesa
Pedro Leal – viola
Gravado em casa de Amália Rodrigues, à Rua de São Bento, Lisboa, a 19 de Dezembro de 1968, e nos Estúdios Valentim de Carvalho, Paço d’Arcos
Gravação e mistura – Hugo Ribeiro

CHEGA DE SAUDADE

Poema: Vinicius de Moraes
Música: António Carlos Jobim
Intérprete: Elizete Cardoso* (in LP “Canção do Amor Demais”, Festa, 1958, reed. Eldorado, 2002, Biscoito Fino, 2008)

[instrumental]

Vai, minha tristeza
E diz a ele que sem ele não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ele regresse
Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade
A realidade é que sem ele
Não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de mim
Não sai

Mas se ele voltar
Se ele voltar
Que coisa linda
Que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços os abraços
Hão-de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
P’ra acabar com esse negócio
De jamais viver sem mim

[instrumental]

Mas se ele voltar
Se ele voltar
Que coisa linda
Que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços os abraços
Hão-de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é p’ra acabar com esse negócio
De querer viver sem mim
Vamos deixar desse negócio
De viver longe de mim…

* [Créditos gerais do disco:]
Elizete Cardoso – voz
António Carlos Jobim – piano, coros
João Gilberto – violão, coros
Nicolino Cópia (Copinha) – flauta
Edson Maciel, Gaúcho – trombones
Herbert – trompete
Irani Pinto – violino
Nídia Soledade – violoncelo
Vidal – contrabaixo
Juca Stockler (Juquinha) – bateria
Walter Santos – coros
Arranjos e regência – António Carlos Jobim
Gravado no Estúdio da Odeon, Rio de Janeiro, em Janeiro do 1958

DESALENTO

Poema: Vinicius de Moraes
Música: Chico Buarque (Francisco Buarque de Hollanda)
Intérprete: Chico Buarque* (in LP “Construção”, Philips, 1971, reed. Philips/Polygram, 1988, Universal, 2000)

[instrumental]

Sim, vai e diz
Diz assim
Que eu chorei
Que eu morri
De arrependimento
Que o meu desalento
Já não tem mais fim

Vai e diz
Diz assim
Como sou
Infeliz
No meu descaminho
Diz que estou sozinho
E sem saber de mim

Diz que eu estive por pouco
Diz a ela que eu estou louco
P’ra perdoar
Que seja lá como for
Por amor
Por favor
É p’ra ela voltar

Sim, vai e diz
Diz assim
Que eu rodei
Que eu bebi
Que eu caí
Que eu não sei
Que eu só sei
Que cansei, enfim
Dos meus desencontros
Corre e diz a ela
Que eu entrego os pontos

[coro / instrumental]

* Chico Buarque – voz e violão
MPB-4 [Miltinho (Milton Lima dos Santos Filho), Magro (Antônio José Waghabi Filho), Aquiles (Aquiles Rique Reis) e Ruy Faria (Ruy Alexandre Faria)] – coros
Arranjos – Magro e Rogério Duprat
Produção e direcção (estúdio) – Roberto Menescal
Gravado no Estúdio da Phonogram, Rio de Janeiro
Técnicos de gravação – Toninho e Mazola

 

 

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