JOSÉ ESTALINE (Иосиф Виссарионович Сталин)- 2 – por Carlos Loures

(Continuação)

A última ceia

  Imagem1Numa tarde sábado, em 28 de Fevereiro de 1953, na sua datcha de Kuntsevo, Estaline convidou Malenkov, Béria, Bulganine e Kruchtchev para jantar. Ao longo de toda a refeição manteve-se de bom humor. Depois, despediu-se dos convidados e recolheu ao seu quarto. Sentia-se muito fatigado. Olhou em redor. Nas paredes havia grandes ampliações de fotos tiradas na Primavera e no Verão de 1929, nos seus anos de felicidade com Nadja.

 Viu-se no espelho – uma sombra confusa apareceu-lhe diante dos olhos, iluminada como um ícone por elogios religiosamente fanáticos e distorcida por clamores de indignação e ódio. Um santo, o «pai da pátria socialista», um déspota perverso, o “maior criminoso da história”?Imagem1

Richard Pipes, professor de História Russa da Universidade de Harvard, dirá que Estaline não tem talento de estadista e que a sua principal capacidade terá sido a de “penetrar no pior da natureza humana” e que com essa capacidade negativa terá mesmo induzido Hitler a desencadear a guerra. Muitos historiadores, marxistas inclusive, endeusam Lenine, remetendo para Estaline todo o odioso de algumas décadas em que uma nação vasta como um planeta passou de atrasada e agrícola a potência industrializada e moderna. Uma transformação destas dificilmente se conseguiria através de métodos democráticos. A sensação de fadiga aumenta.

Estende-se vestido sobre um tapete. À memória ocorrem-lhe imagens dispersas da sua vida que devotou inteiramente a duas causas – ao engrandecimento da sua pátria adoptiva, a Rússia, e ao marxismo-leninismo.

Iosif, o pequeno seminarista

Em 21 de Dezembro de 1879, em Gori, pequena povoação a cerca de 50 quilómetros de Tiflis, na Geórgia, nasceu Iosif Djugachvili, filho do então servo Vissarion e de sua mulher Ekaterina. Vissarion era um sapateiro iletrado, alcoólico e muito violento – existe aliás na tradição georgiana, a expressão “beber como um sapateiro”. O homem dava frequentes tareias na mulher e no filho. Conta-se que Iosif numa dessas cenas recorrentes, saindo em defesa da mãe, arremessou uma faca ao pai. Mais tarde, alguém dirá que terá sido este ambiente de ódio e de violência que modelou o carácter despótico de Estaline.

Imagem2Em 1886, o pequeno Iosif contraiu varíola, enfermidade que o desfigurará para sempre. Quando melhorou, Vissarion não queria que o filho (com sete anos) fosse para a escola, pois pretendia que aprendesse o seu ofício e viesse a ser sapateiro como ele. Porém, desta vez, não levaria a melhor. Ekaterina ambicionava para Iosif a condição de sacerdote da Igreja Ortodoxa e, dando esperança a esse sonho, em 1888 o rapaz seria admitido na escola paroquial de Gori. Em 1890, Vissarion foi morto, esfaqueado numa rixa de bêbedos.

Em 1894 entrou no seminário de Tiflis. Nesse ano caiu novamente doente – uma grave intoxicação no sangue  iria impedir o desenvolvimento normal do ser braço esquerdo. Tinha quinze anos e datam desta época poemas de sua autoria, dos quais publicou alguns – foi, nesta idade, um leitor compulsivo e voraz, lendo, entre outros, Marx e Darwin. Tornou-se ateu e assumiu um pseudónimo – “Koba o inflexível, inspirado num herói dos romances populares da Geórgia. Em 1898 aderiu a um movimento social-democrático.

Em 1898 aderiu a um movimento ecologista. Em Maio de 1898 filiou-se num partido social-democrata. Sua mãe, a doce e paciente Ekaterina, que morreria em 1936, quando o pequeno Iosif era já o todo-poderoso José Estaline, não aprecia aquela grandeza e omnipotência a que o filho se guindou. Quando este lhe fez uma última visita, disse-lhe. – Que pena não teres sido sacerdote!

 (Continua)

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