EDITORIAL – Jornais, jornalistas e futurologias

Imagem2Um futurologista australiano agitou a comunidade jornalística ao prever que em 2041 deixará de haver jornais como hoje os entendemos, afirmando que, nessa altura,  “A comunicação social será íntima, individualizada de uma forma que hoje não conseguimos imaginar”. É uma previsão a que não se pode dar mais importância do que aquela que realmente tem – a de um fait divers criado para ajudar os jornais a venderem. Na realidade, os jornais como hoje são concebidos até podem acabar antes de 2041. Ou, para sermos mais rigorosos, os jornais como são concebidos tradicionalmente, desde que no século XVII se publicaram as primeiras gazetas, já acabaram.

Estas previsões catastrofistas, que têm afectado particularmente o sector do livro, prevendo a morte do livro em papel em favor do livro electrónico, misturam duas faces do problema – um livro é um livro, seja qual for o seu suporte físico – se por qualquer motivo deixar de ser impresso e multiplicado sobre papel, não deixará de ser um livro por se apresentar de forma diferente – a função do livro é transmitir conhecimento, contar uma história… Em todo o caso, nenhuma das inovações tecnológicas, requerendo dispositivos de leitura específicos, dá garantias de que no futuro se possa aceder à leitura dos seus conteúdos. O livro tradicional apenas requer um dispositivo de leitura – os olhos. Ou os dedos, no caso dos invisuais.

O jornal é um caso diferente. Meio de informação renovável, a concorrência da rádio, da televisão, da internet com os jornais online, tem vindo a substituir a função que a velha gazeta cumpria. A futurologia não faz falta para prever o que é óbvio – os jornais, tal como os conhecemos, têm os dias contados. Mas continua a ser necessária a intervenção humana e aí é que, quanto a nós, radica o verdadeiro problema – a ética jornalística deveria ser imperecível. imune às novas formas. O código deontológico da profissão é mais importante do que o meio utilizado para veicular a informação.  Começa assim: O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade.

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