JOSÉ ESTALINE (Иосиф Виссарионович Сталин) – 4 – por Carlos Loures

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O derradeiro exílio

Em Janeiro de 1912 realizou-se em Praga a conferência em que se deu a cisão total e definitiva no seio do Partido Social-Democrata, nascendo desta cisão o Partido Bolchevique. Koba foi proposto para o comité central. De regresso, reatou o seu trabalho clandestino em Baku, Tiflis e Sampetesburgo. Foi novamente preso e desterrado para a região de Narym. Voltou a evadir-se, passando uma temporada em Sampetesburgo para tomar parte na campanha das eleições para a quarta Duma.

No primeiro número do jornal Pravda, participou escrevendo o editorial. Deslocou-se depois a Cracóvia para se encontrar com Lenine. Em 1913 colocou pela primeira vez  o nome de Estaline num artigo. Publicou a obra O Marxismo e a Questão Nacionalista. Em Julho  foi deportado para a região de Turujansk.

Enquanto esperava  que o seu destino fosse decidido, Estaline sentia-se abatido, amargurado, mas decidido a continuar. As autoridades entretendo decidiram – iria ficar confinado num extremo da Sibéria. Foi com este sentimento de impotência que chegou à colónia de exilados de Monastrikroe, onde uma surpresa o aguardava.

Quando chegou à colónia de exilados de Monastrikroe, esperava-o uma surpresa: para aqueles prisioneiros, mergulhados na cinzenta rotina de dias sempre iguais, a chegada de um membro do Comité Central era um acontecimento muito importante. mesmo excitante. Os exilados, com sacrifício, tinham-lhe arranjado boas provisões de comida poupadas das suas pobres refeições. Em vez da camarata, para ele conseguiram arranjar um quarto individual onde o camarada dirigente pudesse ler, escrever e tomar as importantes decisões. Porém o Koba entusiasta estava a dar lugar a um Estaline mais reflexivo, mais calculista. E amargurado. Não correspondeu às expectativas dos companheiros de exílio. Quando mais o cercavam de atenções e tentavam quebrar o seu isolamento e solidão, mais ele se fechava em si mesmo. Não mostrava interesse de falar com os outros. Uma desilusão.

Segundo sua filha Svetlana contou, “amava a Sibéria e sempre teve saudades do seu tempo de exílio, como se só tivesse caçado, pescado e passeado pela taiga”. Não foi por desprezo que não correspondeu às atenções dos companheiros exilados. Por um lado, as relações afectivas não constituám uma parte dominante do seu carácter; na sua hierarquia de valores, os objectivos políticos estavam primeiro do que tudo; depois, precisava de solidão para reflectir sobre o futuro. Pressentia que estava sobre o limiar de uma nova época – na sua vida, na história da Rússia e na história do mundo. O futuro vinha aí…

Em Agosto de 1914, a Alemanha declarou guerra à Rússia. O povo uniu-se numa onda de fervor patriótico, diminuindo as tensões sociais e políticas. O apoio popular aos bolcheviques diminuiu e a Okrana, a polícia política do czar, aproveitou para desencadear uma vaga de prisões entre os activistas, privando o Partido de órgãos de liderança e provocando-lhe disfunções na estrutura funcional, com a cadeia clandestina de contactos quebrada em vário pontos.

                       

No exílio, afastado dos terríveis acontecimentos da guerra, mas recebendo as notícias dos sucessivos desastres na frente de combate e da agitação social que volta a flagelar as cidades, Estaline sentia-se profundamente amargurado por estar longe do centro da acção, numa altura em que a sua presença era tão necessária.

A sua vida em Yenisei-Turjansk foi entrando na normalidade. Aos poucos foi fazendo amizades – com uma característica – com as pessoas que, como ele, provinham de famílias humildes, é afável e educado. Com os intelectuais que, perante a sua cultura autodidáctica e cheia de lacunas, o tratavam com paternalismo é agressivo, duro, intransigente. Menos culto, mas com uma intuição aguda e crítica, depressa se apercebia das fragilidades e pontos fortes de cada um: feita essa análise, atacava a fundo, humilhando, espezinhando, usando as debilidades e não hesitando em fazer valer a sua posição de membro do Comité Central. Um bom treino para o exercício do poder.

E chegamos ao ano de 1917.

(Continua)

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