POESIA AO AMANHECER – 325 – por Manuel Simões

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HENRIQUE GUERRA

                             (1937)

            ENQUANTO O TRACTOR NÃO CHEGA

            Recanto fechado por construções modernas.

            Coisa do passado inda nele existia:

            Casa de barro e pau, madeira e lataria.

 

            Ainda havia perto dela o imbondeiro.

            (Nele a miudagem brincara de Tarzan)

            As celhas, o pilão, o fogareiro:

            Quintal de ripas varrido de manhã.

 

            A velha, de negro, tem o pensamento

            Em Luanda antiga (os alembamentos,

            Óbitos, massembas, Ximinha e Anacleto).

 

            E esse quadro em que vive a velha negra

            Possui – enquanto o tractor não chega –

            A arcaica solidez deste soneto.

            (de “Antologia Temática de Poesia Africana”)

Poeta e contista. Colaborou em várias revistas literárias. Incluído na “Antologia Temática de Poesia Africana”, de Mário de Andrade (1975). Publicou “Quando me Acontece Poesia” (1976) e “Alguns Poemas” (1977).

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