Corre o ano de 1590. Ao fim de três meses de caminhada, junto a um rio com três braços que entram no mar em uma foz, depara-se a nossa companhia com um cafre, homem velho, senhor de duas aldeias, o qual nos dá bom agasalho. Pouco tem, pois os cafres semeiam pouco, antes preferem criar umas escassas cabeças de gado e colher frutos silvestres e caçar no mato. Mas do que tem, por nós o distribui. Pelo bom acolhimento, vemos que já teve trato com portugueses e ficamos a saber que ali pousaram Lourenço Marques e o seu companheiro António Caldeira. Pede-nos que não passemos avante, que ele nos sustentará, pois mais além há um outro rei, com o qual está em guerra, que é ladrão muito cruel. Tão bom homem parece ser este reizinho que até lhe damos o nome de Garcia de Sá, por ser velho e, malgrado a cor, ter muita parecença com aquele outro velho que todos nós, os da Índia, bem conhecemos.