Novas Viagens na Minha Terra – Série II – Capítulo 138 – por Manuela Degerine

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Parêntese

(Não quero prosseguir o Caminho de Santiago sem falar aqui desta cidade onde parei em 2010, onde no ano passado me demorei dois dias, onde este ano farei uma pausa na viagem de regresso… Valença.

A parte antiga situa-se no topo de duas colinas: à beira do rio Minho. É uma urbe branca e silenciosa, propícia para deambular ao acaso e, sem mapa nem método, ir descobrindo as casas e palácios, suas fachadas, seus brazões, lápides, janelas, quintais, varandas, os nichos com santos, as varandas com ferro, todas as igrejas e capelas, suas torres, seus portais, seus quadros, seus retábulos… Na verdade tudo merece atenção, da Coroada à Porta do Meio, da Capela da Misericórdia à Capela do Bom Jesus, de S. Teotónio ao Largo de Santa Maria dos Anjos, da Travessa do Eirado ao perímetro da fortaleza, este com mais de cinco quilómetros, um passeio na língua portuguesa através dos taludes, guaritas, baterias, revelins, baluartes… Os valencianos mostram-se disponíveis para dar informações e fazer perguntas; uma reciprocidade que tenho apreciado.

Se os leitores quiserem visitar Tui, podem atravessar a pé a ponte metálica, no estilo de Gustave Eiffel, a qual não é apenas muito bonita, também proporciona um ponto de vista para o rio, Tui e Valença. Daqui à catedral distam dois quilómetros, dá meia hora de caminhada, passeio acaso útil para digerir o almoço e predispor ao jantar, pois requerem-se por aqui estômagos robustos; e a pé entramos na paisagem através de um obra de arte enquanto a travessia de carro reduz tudo a quase nada.

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Tui tem menos encanto do que Valença mas satisfaz os requisitos turísticos com edifícios interessantes, boas esplanadas, habitantes acolhedores, especialidades gastronómicas… Quando mais não seja: a catedral, o seu museu e a vista dos seus terraços valem a caminhada.

A circunstância de o Caminho de Santiago não atravessar a parte histórica de Valença leva alguns peregrinos – raros pois os roteiros informam-nos – a ignorar que passaram a poucos metros de um dos mais belos espaços do mundo… Candidato a Património da Humanidade.)

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