A ESTUPIDEZ É UM CÃO FIEL – 41 – por Sérgio Madeira

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Capítulo quarenta e um

Cecília e António, estavam sentados de costas para a porta de entrada e, surpreeendidos com o que o médico dissera, voltaram as cabeças. O pianista do hotel, com um sorriso, chegou junto da mesa. Convidado a sentar-se, ocupou o lugar ao lado de Alfredo. O médico concluiu a apresentação:

– Aqui está o padre Manuel ou, se preferirem, o pianista Manolo Ruiz…

A empregada de mesa veio saber se o recém-chegado também jantava.

– Não, traga-me um chá, uma infusão de lúcia lima – e explicou – Estou habituado a comer mais tarde. Os meus horários são pouco comuns. Vivo de noite…

– Como o conde de Drácula – gracejou Cecília, lembrando-se do que ele dissera no dia em que, pela primeira vez, no salão do hotel, tinha vindo oferecer os seus préstimos.

– Exactamente. Vejo que não se esqueceu. Mas não mordo pescoços, apenas assassino boleros e outras melodias latino-aamericans. Por isso não precisam de se precaver.

– Para espanhol, fala muito bem português – comentou António.

– Sou cidadão português…

– Mas disse-nos que não era português – lembrou Cecília.

– Sim, quando fui para Moçambique, não era. Ou seja, expliquei-me mal. Creio que me perguntou se eu tinha conhecido o Alfredo na tropa.

Os jantares e o chá chegaram.

– Espero não vos estragar a refeição – e começou a contar.

1 Comment

  1. *Haver sempre uma histria a contar quer sobre a colonizao ou a descolonizao pautadas por muitas e variadas nuances .*

    *Aguardo com muito interesse o captulo seguinte -Maria *

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